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Governo falta reunião sobre extinção do Museu

Era para ser um debate que esclareceria à sociedade paraense, em especial à classe artística, os pontos da extinção do Museu de Arte Contemporânea Casa das Onze Janelas para dar lugar ao projeto do Polo de Gastronomia do Pará, mas a conversa ficou capenga

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Era para ser um debate que esclareceria à sociedade paraense, em especial à classe artística, os pontos da extinção do Museu de Arte Contemporânea Casa das Onze Janelas para dar lugar ao projeto do Polo de Gastronomia do Pará, mas a conversa ficou capenga.

A ausência dos responsáveis pelo projeto na audiência pública marcada para ontem, pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Pará (OAB-Pa), em Belém, acabou sendo o foco dos integrantes do movimento que luta pela revogação do decreto Nº1.568, de 17 de junho de 2016, que determina essa mudança que afeta diretamente o cenário cultural da capital paraense, e que foi feito de forma arbitrária e sem consulta prévia às pessoas que viviam o dia a dia do museu: artistas, pesquisadores, estudantes, moradores do entorno, visitantes e população em geral.

A presidente da Comissãode Arte e Cultura da OAB-PA, Leny Carvalho, explica que a entidade não toma partido no impasse, mas orienta e abre espaço para que ele “seja debatido até que as partes entrem num consenso”, assim como convida outras entidades que também deveriam atuar em defesa da sociedade civil.

O convite foi feito à quase dez entidades. Apenas a superintendente do Iphan no Pará, Dorotéa Lima, atendeu ao chamado. “É louvável a presença do Iphan quando todas as pessoas que seriam as responsáveis pelo projeto do Polo Gastronômico estão nos ignorando de forma absoluta”, comentou o artista e pesquisador Mariano Klautau Filho.

O projeto do Polo, confirmou Dorotéa, não pode ser posto em prática sem passar pelo Iphan. Mas até agora, nada chegou até eles. “Fico muito triste em ter que dialogar com a gente mesmo. Seria muito mais produtivo se, enfim, houvesse a oportunidade do debate. Espero que o movimento continue”, comentou a superintendentedo Iphan.

ACERVO AMEAÇADO

O listão dos faltosos na audiência incluía, entre outros convidados, o Ministério Público do Estado, o Ministério da Cultura, a Prefeitura de Belém e a secretaria de Estado de Cultura (Secult), além da secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), órgão que estaria à frente do Programa Pará 2030, do qual o Polo faz parte.

Sem resposta nem perspectiva, o movimento acredita que o Governo esteja planejando empurrar para o seu sucessor nas eleições – ou seja, protelando para apenas daqui a um ano e meio– o destino do museu que tinha uma história de 14 anos.

“O Governo já admitiu que não existe um projeto formal de um novo museu”, reforçou a artista visual e professora Val Sampaio.

Uma petição on-line divulgada amplamente pelo movimento, segundo Mariano, foi o que finalmente “escancarou o que o Governo tentava esconder”.

O documento, com três mil assinaturas, foi entregue oficialmente ontem ao Iphan, pedindo a manutenção da Casa como Museu.

“Para um estado imenso com o Pará é vergonhoso que nós tenhamos um único museu de arte contemporânea. Extingui-lo é jogar fora o esforço de tantas pessoas que vieram antes, trilhando um caminho que permitiu chegar ao surgimento dele”, destacou a editora Andréa Sanjad.

(Diário do Pará)

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