A estátua do Cristo Redentor, símbolo maior do Rio de Janeiro, já foi objeto de numerosas interpretações visuais. Agora o Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro abriga uma das mais recentes: a exposição “Cristo Redentor - Divina Geometria”. Ali, no prédio restaurado, Oskar Metsavaht distribui por três andares uma visão original sobre o monumento, mesclando objetos e documentos históricos a um trabalho autoral em vídeo, fotografia, pintura e instalação.
Os que não acompanham o noticiário de exposições podem se surpreender com o nome do artista por trás da obra. É verdade que por mais de um quarto de século o criador da grife Osklen, fundada em 1989, esteve associado à moda. Mas, de alguns anos para cá, um interesse antigo e genuíno começou a se manifestar, fazendo com que Metsavaht, diretor criativo da marca (ele vendeu 60% do negócio), encarasse de frente o preconceito.
Artista mostra sua visão do Cristo através de imagens, vídeos, pinturas e isntalações (Foto: Divulgação)
“Estou entrando no trem agora, não espero sentar no primeiro vagão”, diz ele.
O “agora” remonta ao início de 2014, quando fez uma imersão no Instituto Inhotim, em Brumadinho. Lá, criou uma performance com projeções sobre tecido cujo resultado em vídeo, “Interface I - Homem, arte e natureza”, foi exibido na mostra “Made by... Feita por brasileiros”, na Cidade Matarazzo, em São Paulo, com curadoria de Marc Pottier. Na ocasião, Tunga (1952-2016), também na mostra e conhecido pela generosidade com jovens artistas, teria ajudado a quebrar o olhar enviesado de profissionais do meio ao comentar que achava a obra bonita, com conceito e bem-feita, segundo conta Metsavaht.
O segundo trabalho visto pelo público, “Interface II - Homem, Cosmos e Floresta”, foi realizado depois de uma experiência com os índios ashaninka, em junho de 2015, e mostrada meses depois na “Ocupação Mauá”, evento paralelo à ArtRio, realizado pelo Arte Clube Jacarandá, o fundo de investimentos Brazil Golden Art e a om.art, estúdio de arte e projetos especiais de Metsavaht. Ele criou um túnel de voile, através do qual propunha ao visitante experimentar a viagem que ele próprio vivera com os índios. O artista acabou “absorvido” pela Jacarandá, associação criada por artistas como Carlos Vergara, Raul Mourão, Afonso Tostes e Cabelo, e participou também da mostra promovida por eles na Villa Aymoré, neste ano.
A palavra que dá nome a suas instalações também está presente em sua trajetória. “É interessante este momento que estou vivendo, é mais uma interface na minha vida. Passei de médico a designer de moda; e de designer de moda a artista. Mas, em tudo, o cerne do meu trabalho sempre foi o homem e sua relação com o meio.”
(Agência O Globo/RJ)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar