O cantor Falcão, do Ceará, que ficou conhecido nacionalmente por seu figurino exótico e pela sua versão brega para a música “Eu Não Sou Cachorro, Não”, e a banda Uó, de Goiás, que já se envolveu em debates polêmicos sobre a autoria de suas músicas, são os convidados do programa “Sound-à-Porter”, do canal de tv a cabo E! Entertainment Television! para falar sobre... Tecnomelody! O ritmo, que nasceu no Pará como uma variação do tradicional tecnobrega, incorporando a ele as batidas eletrônicas, não será comentado por nenhum artista do Estado. O oitavo episódio do programa será exibido amanhã, às 21h, e resta a dúvida: o que será que eles vão comentar?.
A assessoria do canal informou que os artistas convidados vão falar sobre o início da carreira, momentos marcantes da vida musical, além das inspirações para seus figurinos à apresentadora Carla Lamarca. O produtor musical Carlos Eduardo Miranda também vai participar do programa e ele poderá ser uma fonte para falar sobre o tecnomelody paraense, já que veio ao Estado diversas vezes, já produziu artistas daqui, como Gaby Amarantos, e pesquisou sobre música paraense. Não haverá entrevistas com outros representantes do ritmo além de Falcão e da banda Uó. E, para completar, o stylist Victor Miranda vai falar sobre o visual extravagante de ambos.
EXPECTATIVA
Procurada pela reportagem, a cantora Gaby Amarantos preferiu evitar a polêmica e informou que não se pronunciará. Já Valéria Paiva, da banda Fruto Sensual, tem uma opinião clara: para ela, um programa televisivo deveria pelo menos ouvir os compositores, músicos e quem está em cima dos palcos cantando para o público. “Com certeza deveria ter alguém de Belém, sem desmerecer os dois convidados. Mas somos nós que fazemos todo tipo de brega e arrastamos multidões. Temos mais conhecimento de causa”, afirma.
Ela também está na expectativa sobre de que maneira o tecnomelody será abordado e lembra que o viés pejorativo é o discurso predominante na grande mídia, principalmente na televisão, que costuma explorar os elementos visuais do figurino das bandas. Pelo que já foi adiantado, Valéria pode aguardar exatamente isso. “O nosso ritmo é rico, cheio de glamour, com detalhes nas letras e nos arranjos. Mas lá fora sempre tem esse tom para avacalhar. Espero que seja mais uma chance para falar bem da nossa música. As culturas são diferentes e a nossa música é bonita do jeito que é”, declara.
A cantora Hellen Patrícia, da banda Xeiro Verde, também tem a mesma desconfiança e acredita que seria mais correto ter um artista local. “Acho uma grande injustiça não ter ninguém do Pará para falar sobre um ritmo que surgiu aqui, é cantado aqui, ainda mais em um programa nacional. Por que não chamar a Gang do Eletro, eles seriam ótimos para falar sobre isso? Tem também a Viviane Batidão. Vamos esperar agora e saber o que será exibido, mas é bem melhor quando quem fala sobre um assunto é quem faz”, opina.
Até o momento, sabe-se que Falcão falará, por exemplo, sobre como o girassol tornou-se um símbolo de seu blazer, junto aos demais adereços que compõem a peça que costuma usar em seus shows e apresentações em público. Já com a banda Uó será ressaltado o visual exótico, colorido e nostálgico, com peças das décadas de 1980 e 1990. É esperar para ver.
Outro lado
Por meio de sua assessoria, o programa “Sound-à-Porter” se posicionou sobre o assunto e disse que a produção é “um doc-reality, não um documentário”, e que é um programa de moda e não de música. “A escolha da Banda Uó se deu porque é notória a influência do tecnomelody não só na música como na forma que os figurinos deles são compostos. Eles são considerados referências de moda e conhecidos pelo estilo irreverente de seus visuais.
Já a escolha do cantor Falcão vem apenas reforçar a proposta do programa de não ser um documentário sobre gêneros musicais. Falcão é comumente associado ao brega”, diz a nota, informando ainda que por mais que o tecnomelody tenha nascido no Pará, é um gênero nacional, com representantes em todo o país. É fato, assim como é fato que a banda Uó tem declaradas influências do tecnomelody. Mas Falcão em nada tem a ver com o estilo musical, nem na forma de cantar, nem no visual. Parece, mesmo, que faltou mais pesquisa sobre o assunto. Uma pena
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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