A casa está aberta, pode entrar. Lá dentro, um ambiente residencial compartilhado é voltado para a experimentação artística em diversas linguagens. Essa é a Casa Carta, localizada na travesssa Padre Prudêncio, no centro de Belém, habitada pelo professor e escritor Felipe Cruz, a fotógrafa Renata Moreira e o cineasta Mateus Moura. Os três decidiram trazer para o íntimo do lar os afetos que permeiam a criação de parceiros e colegas e, dessa forma, discutir processos na arte contemporânea. Para o grupo, importa mais o desenvolvimento do processo criativo que a obra final em si.
“A casa foi pensada, antes de mais nada, como lugar para desenvolver projetos pessoais. E, levando em consideração que é uma casa, não espaço institucional de arte, é um projeto de morada mesmo. A casa é o lugar do encontro para as trocas da produção independente, onde isso pode ser debatido, e para a circulação dos produtos”, explica Felipe Cruz.
Quem deseja conhecer a casa pode visitá-la hoje, das 10h às 17h, durante a programação do 13º Circular Campina – Cidade Velha. Inaugurada em junho deste ano, essa é a primeira participação da Casa Carta no projeto que terá leitura de cadernos, com Felipe Cruz, ação voltada para discussão sobre literatura; venda e troca de publicações independentes, como fanzines feitos pelo grupo; a exposição “Todo Dia”, com a mostra de uma oficina de fotografia realizada na casa; jogo de runas, com Virgílio Moura; e exibição do filme “Gosto de Cereja”, de Abbas Kiarostami.
“A leitura de cadernos é um espaço importante para as pessoas trazerem seus textos que estão em processo, ou mesmo concluídos, e que não pensaram em publicar. Fazemos uma roda de conversa e compartilhamos o exercício da escrita não só como literatura, mas como terapia e maneira de encarar a realidade”, afirma Felipe Cruz, que, em parceria com Maurício Borba, lançará o selo “Edições do Prego”, para publicações literárias e de outros escritos de autores que não produzem exatamente para o circuito comercial.
Duas publicações inauguram o selo: “Museu”, de Felipe, e “Borboleta”, de Maurício. Os livros artesanais têm publicação limitada, de cerca de 20 exemplares. “É projeto para publicar, de maneira independente, textos que não se encaixam em gêneros fechados, que sejam experimentais”, detalhe Felipe. “Nós dois temos experiência do circuito comercial e sobram esses textos renegados. Então, esses títulos serão lançados sempre na casa”, informa o escritor.
Uma ação diferenciada será a ocupação “Um Quarto Por Dia”, na qual a artista Mariana Aguiar permanecerá no quarto do próprio residente Felipe Cruz e ficará desenhando ao ar livre, além de expor seus desenhos nas paredes do local.
“É uma maneira de convidar o visitante para acompanhar de perto o processo da autora. Não temos intenção de ter galeria e focamos mais no desenvolvimento. Ela também fará desenhos com modelo vivo”, antecipa Renata Moreira.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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