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Iphan lança livro sobre arquitetura de Belém

Uma vasta pesquisa sobre os azulejos históricos de Belém é apresentada no livro “Azulejaria em Belém do Pará - Inventário – Arquitetura civil e religiosa – Do Século XVII ao XX”, das autoras Dora Monteiro Alcântara, Stella Regina de Brito e Thaís Sanjad,

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Uma vasta pesquisa sobre os azulejos históricos de Belém é apresentada no livro “Azulejaria em Belém do Pará - Inventário – Arquitetura civil e religiosa – Do Século XVII ao XX”, das autoras Dora Monteiro Alcântara, Stella Regina de Brito e Thaís Sanjad, que será lançado hoje, a partir das 16h, na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). São mais de quatro décadas de pesquisa que revelam detalhes da origem, comercialização, usos e técnicas para confecção deste elemento predial que faz parte da identidade cultural belenense.

A publicação foi lançada no Rio de Janeiro, no mês de julho, e reúne dados coletados pelo engenheiro Pedro Alcântara, já falecido, e sua esposa, a arquiteta e urbanista Dora Alcântara, vinculados ao Iphan da capital fluminense. Jorge Derenji e Maria Dorotéa de Lima, do Iphan no Pará, também foram fundamentais para que o livro pudesse ser publicado, com textos que mostram a história do desenvolvimento urbano de Belém, a evolução de técnicas e materiais de fabricação dos azulejos, bem como a aplicação deste elemento na arquitetura civil e religiosa.

As responsáveis pela publicação ainda classificaram os azulejos conforme sua tipologia. Fotografias de cada um dos 274 tipos do material catalogados completam a obra.

A pesquisa e a paixão pelo azulejo

Natural do Rio de Janeiro, Dora Monteiro Alcântara, hoje com 85 anos, participa da programação em Belém com uma palestra sobre como iniciaram as pesquisas e como se chegou ao livro. A relação dela com o Pará se deu quando seu marido veio à capital paraense participar de um evento do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), e listou imóveis com a fachada azulejada. Quando, então, Dora veio à cidade, em 1958, foi aos pontos anotados e passou a fazer desenhos dos motivos estampados nas residências.

Como ela já havia morado em São Luís, no Maranhão, onde também costumava catalogar por meio de desenhos os azulejos acabou sendo convidada pelo maior especialista em azulejos no país, João Miguel dos Santos Simões, para estudar em Portugal. Lá aprimorou-se nos desenhos, a partir de técnicas específicas para a catalogação do material. Voltou ao Brasil e, mais de 20 anos depois, em 1979, e recebeu a proposta de fazer uma pesquisa para Belém.

“Gostei muito da cidade, achei um encanto. Tem esse gosto pelo europeu, mas com tratamento diferente. Quando voltei, o governador Fernando Guilhon, que era entusiasmado pela questão do patrimônio, me perguntou se eu não queria fazer o mesmo que já tinha feito em São Luís com os azulejos de Belém. Respondi: ‘Claro que sim’. Voltei para o Rio de Janeiro, conseguimos verbas para realizar o estudo e fizemos uma pesquisa histórica”, contou Dora Alcântara, em recente entrevista ao Você.

A arquiteta informa que Belém guarda relíquias seculares, como os azulejos da Capela de Santo Cristo, que são os primeiros exemplares do século 17, do reinado de Dom João V, Portugal; e exemplares da segunda metade do século 18, do Convento de Santo Antônio, que são os únicos no Norte desse período.

NÚMEROS

1971 -foi o ano em que se iniciaram as pesquisas compiladas no livro
274 - tipos de azulejos, sendo 149 de guarnições (aqueles em formato de friso e moldura) e ainda 49 de temática religiosa, os chamados devocionais, estão reunidos

HISTÓRICO

Lançamento do livro “Azulejaria em Belém do Pará - Inventário – Arquitetura Civil e Religiosa – Do Século XVII ao XX”
Quando: Hoje.
Programação: Palestra com a autora, Dora Alcântara, às 16h. Sessão de autógrafos às 18h30
Onde: Anexo da Superintendência do Iphan no Pará (José Malcher, 563)
Quanto: Entrada franca

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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