Em fase de pré-produção, “Canalha”, o segundo disco de Juliana Sinimbú, nasceu com uma proposta romântica, mas acabou se tornando algo mais visceral. Após o lançamento de “Una” (2013), o novo álbum virá com a verdade do que se vive e se sente, em ritmos que vão do bolero ao rock.
A maioria das composições é da própria Juliana, que se despiu de pudores estritamente estéticos e apostou nas vivências e emaranhado das relações amorosas para escrever – e compor muito. Duda Bracchi, Marcela Pelas, Júlia Bosco e Lariza Xavier são parceiras no disco.
“O processo de composição é como ressignificar as minhas situações e fazer do meu limão a limonada. Passei por algumas mudanças e isso impactou no disco. Primeiro pensei em fazer algo mais romântico, com bolero, surf music, algo meio Lulu Santos, solar. Mas passei por essa fase e vi que o que estava escrevendo era tão verdadeiro que não conseguia parar de escrever. E esse desconforto só era sanado quando terminava de compor”, desabafa a cantora, dando como exemplo a canção “Quem Me Passa o Coração?”, na qual reflete sobre a efemeridade das relações amorosas e questiona quem está disposto de fato a se comprometer em um relacionamento.
AUTOBIOGRÁFICO
Ela já começou a mostrar o repertório em dois shows na capital paraense, quatro no Rio de Janeiro e um em Salvador. Por conter composições essencialmente biográficas, a cantora tem feito do palco seu teste de seleção musical e o retorno do público tem sido essencial. Afinal, assim ela se distancia do processo de criação e vê como aquela trilha sonora de sua vida chega até as pessoas.
Juliana conta que, após as apresentações, muitos chegam a comentar que as letras também relatam algo que eles já vivenciaram. Para Juliana, citando a amiga e também cantora Natália Matos, “é a música que diz o que tem de dizer e chega lá”. Isso significa para ela um amadurecimento do seu processo criativo e a aceitação das verdades vividas.
“Esse método é a primeira vez que experimento, já que no primeiro disco eu estava grávida e fui para o estúdio num processo de escolha intuitivo. Dessa vez, pensei em testar valendo as músicas e ver como funcionam no palco. Percebo a reação positiva das pessoas, foi um período que vivi e que várias outras pessoas viveram, está no inconsciente coletivo. Nesses testes, já tirei música, já experimentei versões. Estou bem otimista, as formas já estão mais maduras”, revela. A expectativa é que ainda este ano as músicas selecionadas comecem a ser gravadas para lançamento do disco no primeiro semestre de 2017.
Sobre amores e decepções
O novo álbum segue a linha do videoclipe “Para Um Tal Amor” (2014), que trata, sim, sobre um homem canalha, mas também sobre o significado geral da palavra e das atitudes dos casais em situações embaraçosas, vis. “É esse amor trágico, cômico e irônico, que permeia esse universo da experiência da dor, do divertimento, das paixões e é canalha. É o barato da canalhice, é um estado de espírito”, define. É dessa música que vem a expressão “Canalha” que ela cita nos primeiros acordes, e que virou grito ecoado pelos fãs nos shows de Juliana, tornando-se tão grande a ponto de virar um disco com vida própria.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar