Após receber o diagnóstico de transtorno bipolar, em 2013, o jornalista Tiago Júlio Martins decidiu escrever um livro. A ideia de “Tardis” surgiu no final de 2014, quando o autor resolveu falar sobre a própria história: o surto psicótico que o acometeu naquele ano. Porém, durante o processo de escrita, um novo surto fez com que o livro ficasse cinco meses emperrado. Com dois capítulos, em que ele narra os momentos de delírios e alucinações, o livro encontra-se em fase de pré-venda, pela editora Versos Seremos. O lançamento será em outubro, em local ainda a ser definido.
“Meus pensamentos começaram a ficar muito acelerados, eu comecei a ter ideias megalomaníacas, perdi o senso crítico, passei a gastar mais dinheiro do que deveria, virei uma pessoa totalmente egocêntrica, muito sociável e falante. É o estado conhecido como mania, que é polo oposto da depressão, e se não for freada a tempo descamba em um surto psicótico”, diz.
A motivação para escrever o livro veio da constatação de que muitas pessoas próximas também sofrem com algum tipo de problema emocional ou distúrbios mentais e que ainda há muito preconceito ao se falar sobre isso. O desejo é poder ajudar outras pessoas com transtornos mentais, seja depressão, bipolaridade ou esquizofrenia, e informá-las melhor, bem como a familiares e amigos, já que o assunto ainda é considerado um tabu.
“Acredito, de verdade, que haverá gente que irá se reconhecer nas minhas palavras e se sentirá melhor ao perceber que não está sozinho e que pode levar uma vida plena e normal, apesar da doença”, diz o jornalista.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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