Técnicas de artesanato diferenciam-se conforme a cultura de cada país, de cada região, e das ferramentas disponíveis a cada comunidade para realização de trabalhos manuais. Uma mostra de elementos do mundo inteiro pode ser conferida até amanhã na Feira do Artesanato Mundial (FAM), no Hangar, que reúne cerca de 500 expositores da capital, do interior do Estado e de países como Egito, Índia, Turquia, Peru, México, Marrocos e Indonésia.
A feira é um convite para conhecer e agregar objetos do mundo todo à decoração. O Você elencou algumas peças que podem garantir um charme a mais em sua casa.

(Foto: Jader Paes)
OBJETOS
1- Divino
O Divino Espírito Santo, tradicional símbolo da religião católica, tornou-se um objeto decorativo para os adeptos da religião. As cidades do interior de Minas Gerais se transformaram em verdadeiros polos produtores do objeto.
De acordo com João Ribeiro, do Cantinho da Magia, loja de Pedralva, no sul mineiro, que participa da feira, o Divino tornou-se o carro chefe das vendas. Geralmente eles são feitos a partir de madeira de demolição, de construções antigas, do tempo da colonização do país.
“É muito comum comemorarmos a Festa dos Santos Reis e o Divino é forte na nossa região. São madeiras de 400 anos, como peroba, angelim e pau brasil”, diz.
2- Quilombola
Dona Catarina Macedo Nascimento, 57, da Associação de Quilombolas do Moju, aprendeu com seus ancestrais, que eram escravos, a fazer utensílios de barro, como as panelas de diversos tamanhos que hoje são vendidas em feiras de Belém e do interior do Pará.
Ela conta que a argila é retirada do fundo do igarapé e peneirada para que possa ser manuseada conforme o tamanho da panela. Depois, o objeto é colocado para “queimar” ao sol. Durante o verão, em dois dias uma peça está pronta, mas durante o inverno depende do fluxo das chuvas.
“Depois de queimado, a gente tinge com a folha do cupuaçu. Faz um fogareiro de tijolo e põe a panela em cima e fica com a cor
preta”, explica.
3- Estilo vintage
A partir do reaproveitamento de madeira, a família Boll, do Rio Grande do Sul, resolveu apostar nas estampas de personagens de desenhos, de cervejas famosas e de outros elementos considerados “vintage” para a produção de diversos itens de decoração, desde bandejas até quadros e almofadas.

(Foto: Jader Paes)
4- Turquia
Os tradicionais lustres da Turquia, feitos de mosaico de vidro, também podem ser encontrados na Feira. São objetos artesanais que vieram diretamente das feiras de Istambul, com o colorido intenso e misturado, refletindo influências de tendências e tradições da Europa e da Ásia.
No mesmo estande também é possível encontrar jogos de porcelana e pratos decorados e pintados à mão. Pratos do Marrocos e cerâmicas do México também são encontradas por lá.
5- Índia
Annu Singh é indiano e mora há 10 anos no Brasil. Ele decidiu apostar no comércio dos elementos tradicionais de seu país, como caixas de metal e madeira e porta-incensos, todos feitos à mão e que demoram três dias para ficar prontos.São objetos delicados e que trazem elementos das religiões e de animais sagrados na Índia, como o elefante.
“Ele representa os deuses por ser forte e calmo”, diz. Também estão disponíveis estátuas de bronze e madeira, e objetos em pedra mármore, e tecidos 100% algodão para cama e mesa.
6- Japão
As tradicionais chaleiras são a marca do Japão, com o conjunto de xícaras pintadas manualmente ou mesmo de forma industrial, com cenas típicas do país, como paisagens com árvores de cerejeira. Há ainda panelas com revestimento cerâmico que não fazem feio na mesa e que têm maior durabilidade.
7- Senegal
Mame Cheiky, do Senegal, trouxe à feira uma série de máscaras de diversas tribos africanas, todas originais, e que foram usadas em cerimônias como casamentos e nascimentos, ou mesmo em momentos de caça na floresta. Ele explica que são feitas de madeira como ébano, djoubouti e tek wene e que é comum encontrá-las como objetos de decoração, principalmente na entrada das casas.
8- Egito
Réplica de joias de rainhas do Egito antigo, como Nefertiti e Cleópatra, assim como estátuas de esfinges estão no estande do Egito. Quem recebe os visitantes é Márcia Martins Costa.
Ela explica que estão expostos papiros legítimos, tal qual se faziam na época dos faraós, com pinturas de artesãos como Adu Farah. “No Brasil, é conhecido como junco o material de que é feito o papiro. Tem gente que faz com folha de banana, mas é falso, não se sustenta”.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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