plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 28°
cotação atual R$


home

_
_

O politicamente correto engessou o design

É o que pensa o designer Felipe Taborda, conhecido por criar capas de discos icônicas no Brasil O designer carioca Felipe Taborda acredita que o mundo encaretou e que as liberdades criativas foram gradativamente sendo cerceadas pelo politicamente correto

twitter Google News

É o que pensa o designer Felipe Taborda, conhecido por criar capas de discos icônicas no Brasil

O designer carioca Felipe Taborda acredita que o mundo encaretou e que as liberdades criativas foram gradativamente sendo cerceadas pelo politicamente correto. Com mais de 30 anos de carreira, Taborda é conhecido por capas icônicas de discos de bandas e artistas nacionais, como Barão Vermelho, Cazuza e Gilberto Gil. Sua constatação veio ao comparar o trabalho na área do design e da criação nos anos 1960 e 1970 com os dias de hoje.

“Nesses 30 anos, as capas mudaram, assim como toda percepção de escutar música. Não só o tamanho das capas, mas também a própria liberdade [de criar]. Naquela época tínhamos mais liberdade do que temos hoje. Uma capa poderia ter mulheres nuas e hoje em dia seria um escândalo. É irônico, mas um grupo de feministas iria protestar e dizer que as mulheres estariam sendo usadas, pessoas quebrariam o disco dizendo que era machismo. E o ‘Eletric Ladyland’, do Jimi Hendrix, tem umas 30 prostitutas completamente nuas e ele era tudo, menos machista, idolatrava as mulheres”, diz Taborda, que esteve em Belém na última semana, para a abertura da exposição “Cara a Tapa / 100 LPs+CDs / 1983-2016 / o design de Felipe Taborda”, no Centro Cultural Sesc Boulevard, em Belém.

Entre os trabalhos conhecidos do designer, está a capa de “Carne Crua”, do Barão Vermelho, lançado em 1994, e que teve um curioso percurso de escolha. Taborda relembra que se reuniu com os integrantes da banda, mas as ideias que ouviu não soaram muito boas, sendo de duvidosa execução. “Fui lá falar com eles e a ideia era colocar um monte de mulher nua pendurada num açougue com carne, e os músicos no meio. Escutei aquilo tudo com cara de interessado, mas sem fingir nada. Não fui hipócrita, não falei que estava ótimo, mas fiquei ouvindo com ar de nada. Era uma ideia muito cafona. E na hora de apresentar a capa, surgi com aquele peixe dentro do liquidificador. Esse é um exemplo clássico na minha história que gosto de falar, pois valorizo a liberdade. O processo criativo é muito rápido, converso com artista, escuto o que tem para dizer, as ideias que tem para a capa, e logo esqueço tudo e faço o que quero”, comenta.

DISCOS NOVOS

Com mais de uma centena de trabalhos, questionado sobre qual foi especial, Taborda prefere dizer que é o próximo. Recentemente, fez a capa do CP e do LP “Concerto de Cordas e Máquinas de Ritmo”, de Gilberto Gil, com visual minimalista. “É um privilégio fazer capa do disco dele com aquele conceito simples das tuas teclas da máquina de escrever e o Gil aceitar. Eu propus e fui aceito. Não houve restrição”, conta. No momento, ele produz a capa do disco da atriz Bibi Ferreira, que será lançado em breve, pela Biscoito Fino.

Muito ‘pitaco’ tira autoria do trabalho

Felipe Taborda compara o trabalho de um designer com o de um dentista. “Se o dentista diz que você precisa fazer canal, você não duvida, vai lá e faz. Por que com designer tem que ser diferente?”, questiona, defendo que quem contrata o serviço deve conhecer o trabalho previamente e confiar no que for realizado.

“A gente apresenta a concepção do que pensa para o trabalho, e assim como se tem o direito de ir para outro dentista para avaliação, pode-se procurar outro designer, para ter nova visão do problema, mas não deveria se discutir”, opina.

Ele lembra o famoso designer norte-americano Milton Glaser – criador do “I <3 NY” –, que dizia que apresentava seu trabalho para apenas três pessoas e que elas deveriam opinar. Mais que isso, ele não aceitava, pois ao final o trabalho tinha interferência de tantas outras opiniões que o produto final acabava não sendo um projeto seu, autêntico. Taborda diz que trabalha sob o mesmo parâmetro, para não ter suas criações como “Franksteins”, aos pedaços.

“Isso a gente vai conquistando com o tempo. É uma postura, uma maneira de ser, e o fato de ficar mais velho, a gente vai tendo menos paciência para ficar explicando o que fez. O Glaser afirma que há mais de 50 anos tem esse limite máximo que aceita para discutir o trabalho dele. Uma vez perguntei por que ele não fazia cartaz de cinema. Ele respondeu que era um inferno, tem o ator, o diretor, o produtor, a mulher do diretor, a atriz, o agente da atriz, todos dando palpite”, diz.

(Dominik Giusti)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em _

    Leia mais notícias de _. Clique aqui!