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Felipe Cordeiro canta hoje em show intimista

O cantor e compositor Felipe Cordeiro passou um tempo recolhido em suas experiências, sem pressa de lançar um novo disco. O seu terceiro álbum, ainda sem nome, deverá sair no primeiro semestre do ano que vem, e promete ser bem diferente de “Kitsch Pop Cul

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O cantor e compositor Felipe Cordeiro passou um tempo recolhido em suas experiências, sem pressa de lançar um novo disco. O seu terceiro álbum, ainda sem nome, deverá sair no primeiro semestre do ano que vem, e promete ser bem diferente de “Kitsch Pop Cult” (2012) e “Se Apaixone Pela Loucura do Seu Amor” (2013). Nesses mais de três anos sem mostrar o que vem escrevendo – e sentindo e experimentando – , a não ser a música “Virou”, gravada pela cantora Tulipa Ruiz, ele diz que chegou a um novo ciclo.

É um novo tempo, sobretudo do ponto de vista do envelhecer e olhar para si mesmo. Aos 32 anos, ele diz que precisou viajar e tocar mais com a sua banda. Importam nesse novo tempo, o tempo dele, também as reviravoltas que o Brasil tem passado e o limiar entre arte e política. Cordeiro anseia por uma nova contracultura e a relação entre o subjetivo e o potencial coletivo é o norte conceitual do que ele está preparando.

Felipe apresenta um pouco dessa nova fase esta noite, a partir das 19h, no projeto “Chegado”, na Casa Oiam, em Belém. Ainda em fase de escolha de repertório do álbum, que ele diz estar 90% fechado, será o momento de compartilhar com o público os preparativos do novo trabalho. O músico Lucas Estrela também participa do evento, que antes terá discotecagem de PhillSucks.

“Vai ser um show especial, aconchegante, acolhedor. Vou experimentar tocar músicas que normalmente não toco no show, como as novas que estou pensando em gravar no meu próximo disco, que vou lançar ano que vem e vou apresentar em primeira mão. O show inteiro será eu, minha guitarra, meu computador e minha voz e as interações com o Lucas, que lançou o disco ‘Sal ou Moscow’, título inspirado numa música minha. É outra experiência, não é pior nem melhor. Gosto da catarse, mas também da contemplação do som, da valorização da canção, da letra, do timbre, e isso são coisas a que dou muita importância no meu trabalho”, adianta Felipe.

Veja:

Cantor se arrisca em novos caminhos

O que vem por aí é verdadeiro. E a cara de Felipe. “A minha essência na música é a autoria. Fiquei um tempo sem lançar nem single nem nada, pois queria resolver duas coisas: fazer um mergulho pelo país fazendo show, o que deixou a banda aprimorada, e testar colaborações, fazer muita troca. Quando você grava um disco novo, ou você reforça o que já conquistou e aprimora, o que de certo modo é confortável, ou se arrisca e faz uma parada nova. E esse disco vem se arriscando, pelo fato de eu já estar com mais de 30 anos, tocar com gente diferente. A música acompanha essa mudança, com novos temas e intenções”, diz.

Às novas intenções, ele explica: é o temor de enquadrar os ritmos como carimbó e guitarrada ao apelo demasiado comercial. Então, foi preciso rever o que esse caminho sonoro estava apontando em sua própria produção. Ao mesmo tempo, Felipe Cordeiro sentiu-se mais conectado aos sons de países como Argentina, Colômbia e Peru, onde buscou referências para o novo álbum, mas não nega que os ritmos paraenses também estarão presentes – em menor escala.

“Tem canções muito fortes, das experiências com psicoativos, experiências contraculturais. As músicas que eu vinha fazendo, bregas, tecnobregas, para mim já têm essa tecnologia contracultural. Eu olhava para os caboclos e via oportunidade de fazer uma linguagem resistente e única e isso me mobilizava. Agora, tendendo para o mainstream, está ficando mais ‘educado’. Acho que a gente precisa, eu e meus pares, ficarmos atentos para não ficar dentro de uma jaula. Procuro ficar ligado nisso”, comenta Felipe, que continua tendo o pai, Manoel Cordeiro, bem próximo de suas criações musicais e como parte do novo disco.

Arte de resistência

Momentos recentes da história brasileira, como os protestos de 2013 e o impeachment de Dilma Rousseff, são fundamentais para Felipe Cordeiro, que é enfático quanto ao impacto dos movimentos políticos na arte. “A gente vive um momento não só no Brasil, mas em todo o planeta, muito forte. Acho que toda arte que se preze de 2013 para cá vai ter que dialogar com esse momento. Vivemos uma onda muito conservadora, opressora e triste, mas uma resistência muito intensa também. O lance daqui para frente é aprimorar novas tecnologias de contracultura, com mecanismos de resistência que sejam libertadores”, acredita.

Ele cita os movimentos culturais e sociais das décadas de 1960 e 1970 como exemplos para que se pense essa resistência, e crê também no ocaso do racionalismo político, que para a conquista de direitos é preciso ativar a subjetividade. “Já perdemos a batalha no plano do racionalismo, da política mais pragmática. As próprias pessoas que se chamam progressistas, eu me incluo, são pessoas tímidas. Quero encontrar esse caminho de resistência, talento, criatividade e arte. É uma busca minha nesses últimos anos, não sei se vou alcançar”, diz.

Confira:

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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