A banda paraense de heavy metal Stress fez sua primeira apresentação no dia 10 de outubro de 1977, no antigo Teatro São Cristóvão, em Belém. Os integrantes, Roosevelt Bala - como é conhecido o vocalista Roosevelt Cavalcante -, Pedro Valente e André Chamon tinham entre 15 e 16 anos e eram amigos de escola. Eles queriam tocar para o público o que ouviam em casa: rock progressivo e aquele som pesado, puxado nas guitarras elétricas. Mas acabaram criando um verdadeiro movimento na capital paraense em torno do gênero musical que se espalhava pelo mundo. Eles foram precursores e Bala arrisca dizer que são a primeira banda de heavy metal do país.
“A gente se reunia para tocar o que a gente gostava de ouvir e não tínhamos acesso a vídeo, não víamos nossos ídolos em movimento, só fotos mesmo, então, a gente queria reproduzir aquele som. Era um show para as pessoas que tinham a mesma identidade da gente, os roqueiros. A senha era essa, se gostava de Led Zeppelin, Pink Floyd, tinha uma identificação. Quando a gente via um cara com blusa pintada à mão com uma dessas bandas, tinha vontade de se aproximar e conversar. Se conhecia alguém lá na Cremação que era roqueiro, pegava os LPs e ia lá com ele. ‘Tu que é roqueiro? Trouxe uns discos pra ouvir’, e assim a gente ia se conhecendo e assim foi se formando esse movimento”, relembra Bala.
Para comemorar o início da banda e relembrar momentos históricos desses 39 anos de atividade, o Stress faz neste domingo, a partir das 19h, um show-espetáculo no Teatro Waldemar Henrique, na Praça da República, local que também se tornou símbolo para o público que curtia shows de rock na cidade. Após quatro anos sem se apresentar na capital paraense, o Stress coloca no repertório do show músicas de toda a trajetória do grupo. O vocalista também abrirá espaço para uma espécie de conversa com o público para contar como cada composição foi criada ainda na escola, e para falar sobre shows históricos, como o de 1982, no estádio da Curuzu, quando reuniram 20 mil pessoas, a apresentação em que quebraram os instrumentos no Circo Voador, no Rio de Janeiro, e outros causos que toda banda de rock tem para contar.
“Vamos voltar para o teatro onde inauguramos o rock, pois nos anos 1980 não se pensava em fazer um show de rock num teatro, não se admitia. Queremos reunir os fãs de rock das antigas num show para pais e filhos. Sabemos que já estamos na terceira geração de roqueiros. Para ser mais confortável, a plateia vai ficar em cadeiras, não será aquele show para bater cabeça, por mais que a gente saiba que vai ter, mas a gente quer que seja visto como quem vai assistir a uma peça de teatro. Não será apenas um espetáculo musical, mas uma maneira didática de falar sobre música”, adianta Roosevelt Bala.
“É O MELHOR NOME DE BANDA QUE JÁ OUVI”
Antes de se chamar Stress, os ainda meninos usaram outros nomes provisórios para definir o grupo musical: Pingo D’Água, Elektra e TNT. Até que Pedro sugeriu o nome “Stress”. Bala recorda que a palavra estava começando a ser usada para definir a doença que acometia as pessoas nas grandes metrópoles, mas que ele e André mal sabiam o que significava ao certo, e Pedro teve que explicar melhor.
“Ele disse que era algo que deixava as pessoas nervosas, agitadas, tensas. E isso para nós foi um grande achado. O Pedro sugeriu, a gente nem sabia o que era, mas ele mostrou como se escrevia e achamos a grafia bonita, a sonoridade também. Eu acho que lembra Queen, Yes, esse nomes monossilábicos das bandas de rock. E para mim Stress é o melhor nome de banda de rock que eu já ouvi falar, está no páreo com essas outras”, salienta o vocalista.

O primeiro show no São Cristóvão. (Foto: arquivo)
A gravação do primeiro LP ocorreu no Sonoviso Studio, no Rio de Janeiro, em agosto de 1982, com Roosevelt nos vocais e baixo, Leonardo Renda nos teclados, André Chamon na bateria, e Pedro Valente na guitarra. Foi uma catarse. O vocalista da The Podres, que abriu o show, acabou jogando um sapo morto na plateia, que ficou empolgada e não saiu do lugar.
ASSISTA
Quando: hoje, às 19h
Onde: Teatro Waldemar Henrique (Praça da República - Belém)
Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia) à venda nas lojas Arrepius e Estação Chicago
Informações: 99114-100
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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