Começa hoje e vai até o dia 5 de novembro, a Casa das Artes, da Fundação Cultural do Pará (FCP), promove um workshop de Interpretação no Canto Popular Brasileiro. A atividade será ministrada pelo cantor paulista Zé Luiz Mazziotti e espera proporcionar a músicos profissionais, cantores iniciados e experientes, técnicas de interpretação que trabalhem a expressão vocal e a emoção do intérprete nas canções. As inscrições podem ser feitas para duas turmas com 20 vagas em cada horário. No fim das atividades, haverá um pocket show com todos os alunos do workshop.
“O que vemos no cenário artístico da MPB de hoje é um punhado de cantoras e cantores sem muita expressão. A escola de interpretação até hoje foi feita por cantoras como Dalva de Oliveira, Isaurinha Garcia, Elizeth Cardoso, Elis Regina, Maysa, que cantavam com a alma, que emocionavam o público com suas ‘histórias’ tão bem contadas, que cada um de seus ouvintes acreditava ser sua própria história”, destaca o cantor.
Zé Luiz Mazziotti cantou com grandes nomes da MPB como Elizeth Cardoso, Ângela Maria, Zezé Gonzaga e Jamelão, tendo participado de grandes projetos, como o “Pixinguinha”, no Rio de Janeiro. Em 1979, gravou seu primeiro LP, “Zé Luiz”, com arranjos de Gilson Peranzzetta e Dori Caymmi, e participação de Nana Caymmi. Seu segundo álbum é “Sinais”, de 1981, seguido de “...E o Amor Falou”, produzido por Nana Caymmi. Ele leciona interpretação do canto popular desde 2009 na Escola de Música do Estado de São Paulo.
Em seu curso, Mazziotti toma como ponto de partida a interpretação de obras de grandes artistas, como o cantor e compositor Chico Buarque, “pela variedade de personagens que assume e dá vida”, diz ele. “Às vezes me pergunto se ele sabe o mundo de ideias que pode estar nos proporcionando quando escreve uma letra. Talvez nem ele saiba a grandeza de cada obra sua, pois acredito que quando vem a inspiração, ele nem mesmo havia pensado no que poderia sair dali. Talvez ele tivesse no máximo um tema, e só”, completa.
O trabalho de Mazziotti é mostrar como extrair essas possíveis histórias. “Meu curso é um alerta aos cantores que nunca pensam no que estão cantando, na história que estão contando, e que queiram cantar com mais sentimento para levarem o público na viagem da letra. Todo cantor deveria fazer de cada letra que vai interpretar um filme, um storyboard mesmo, quadro por quadro. Quando um poeta escreve uma letra, ele tem este filme na cabeça, ou pelo menos o filme dele, a interpretação dele para aquela história”, destaca.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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