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Pianista Vitor Araújo lança álbum instrumental

O pianista Vitor Araújo, natural de Recife, não se acha um filho desgarrado da música erudita. Pelo contrário: tem nos clássicos compositores a base para as suas composições instrumentais. Seu mais recente disco, o duplo “Levaguiã Terê”, traz 14 músicas f

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O pianista Vitor Araújo, natural de Recife, não se acha um filho desgarrado da música erudita. Pelo contrário: tem nos clássicos compositores a base para as suas composições instrumentais. Seu mais recente disco, o duplo “Levaguiã Terê”, traz 14 músicas feitas inteiramente para orquestras, mas com a incursão de ambientes sonoros da cultura popular brasileira e das batidas eletrônicas dos sintetizadores de ídolos pop europeus. Como um cidadão recifense, conectado aos burburinhos incessantes das grandes metrópoles, ele apresenta um som autêntico e forte.

O piano é seu instrumento base. Começou a tocá-lo aos 10 anos. Mas durante toda a adolescência, com a influência indelével da cultura pernambucana e da mistura aos signos cosmopolitas mundiais, passou, ao invés de somente interpretar o que estudava no conservatório, também a compor peças híbridas. Em 2008, recebeu o Prêmio Revelação, da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Era considerado menino prodígio da música clássica. Agora, aos 27 anos, mais ciente de seu caminho, traz no álbum uma proposta de sincretismo em que foi preciso mergulhar nas próprias referências musicais para harmonicamente juntá-las no disco.

A ideia inicial era buscar a carga percussiva dos ritmos do candomblé, mas aos poucos esse objetivo foi se alargando para outras referências indígenas e de bandas como Radiohead e da cantora Björk - o que costuma ouvir quando se desloca para, por exemplo, um concerto da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), cidade onde reside atualmente.

“É um desafio fazer com que elementos sonoros diferentes soem como uma unidade no disco. Por isso escolhi um produtor que é engenheiro de som, o Bruno Giorgi, que fez toda a mixagem e masterização também. Ele já posicionou os microfones como tinham que ficar, pensando no resultado final, já que são muitos instrumentos do erudito e do pop experimental modulados. O disco traz desde a influência de Villa Lobos e Tom Jobim, mas também parâmetros estéticos do rock europeu. Pensamos nesse universo mais amplo e numa maneira para soar factível, dentro de uma ideia geral”, explica.

Diálogo entre estruturas sonoras

Vitor explica que para compor o disco ele operacionalizou a produção musical de duas formas: com composições preponderantemente orquestrais e com componentes texturais externos ao som de uma orquestra, incluindo posteriormente outros elementos sonoros, e da forma inversa, com as composições eletrônicas para posterior inserção dos instrumentos de cordas, madeira, sopro e metais. Isso se revela na estrutura do disco, dividido em toques e cantos.

“O nome das canções reflete o diálogo entre o primeiro e o segundo disco, para apresentar uma unidade, com elementos das culturas iorubá, indígena e europeia, e como se modalizaram na música brasileira, em que não existe o toque sem o canto, e o canto sem o toque. Tem que pensar no todo e não só no seu instrumento. Quanto ao piano, continua tendo papel importante, mas virou muito mais importante a estrutura das composições em si do que a o piano”, conta.

O crítico de música Mauro Ferreira considerou o disco um “álbum de música erudita contemporânea”. É uma espécie de produção em que o domínio técnico dos instrumentos orquestrais, voltados para salas de concerto, se funde à natureza dinâmica das estéticas sonoras tradicionais, de rua ou do terreiro. “A cultura popular em Recife é muito forte e é quase impossível não estar conectado, é algo que bate em você, a cidade respira isso.

A ciranda do frevo, coco, maracatu, caboclinho, têm força grande e isso reverbera na composição. Assim como estudo muito música erudita e estou sempre em contato com Bach, Strauss, Beethoven, Ravel, Debussy, para conseguir compor, me dar a minha base”, diz o jovem músico.

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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