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Miriti muito além do brinquedo

A partir do manuseio habilidoso do miriti, o artista Francelino Mesquita cria esculturas de grandes dimensões e que dão outro sentido ao material, tradicionalmente usado para a confecção de brinquedos em forma de artesanato popular. São peças de um a dois

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A partir do manuseio habilidoso do miriti, o artista Francelino Mesquita cria esculturas de grandes dimensões e que dão outro sentido ao material, tradicionalmente usado para a confecção de brinquedos em forma de artesanato popular. São peças de um a dois metros de altura e que foram sendo elaboradas a partir da sua curiosidade em manipular e esculpir a matéria-prima típica da Amazônia. Uma parte da sua produção pode ser conferida até amanhã na exposição “Estereoscopia”, no Espaço Cultural Ministro Orlando Pereira da Costa, no TRT8, em Belém. A entrada é gratuita.

De acordo com o artista, o objetivo de sua pesquisa poética tridimensional é mostrar a “nudez” do miriti. “As pessoas conhecem muito esse material em forma de brinquedos e que são muito populares na época do Círio. Mas eu sempre vi o miriti de forma diferente e comecei a desenvolver as obras, sem tinta nem aplicação de outro material, apenas lixando o próprio miriti”, comenta Francelino sobre a estrutura leve e maleável.

As descobertas dos usos do material começaram em 2008, quando ele foi contemplado com a bolsa de Experimentação e Criação Artística do extinto Instituto de Artes do Pará. Nesse período, o artista foi até o município de Abaetetuba, no nordeste do Pará, local conhecido pela grande produção de artesanato com o miriti. “Fui conhecer os artesãos e suas técnicas para poder aprender e praticar na minha atividade artística. Desde então, sempre busco fazer uma exposição por ano com o miriti”,
conta o artista.

Em “Estereoscopia”, Francelino observa as peculiaridades do objeto em três dimensões e explora as possibilidades de criação 3D e do uso do volume nas peças. Ele diz que o desenho que precede a escultura é grande auxiliar no momento de desenvolver a perspectiva e o ponto de fuga. A influência foi o cinema em três dimensões e as recentes possibilidades de impressões em 3D.

“São esculturas volumosas. Gosto disso e minha formação de técnico em edificações me ajuda na hora de desenhar e pensar as esculturas e as perspectivas, como uma ilusão de 3D”, explica Francelino.

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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