A companhia Palhaços Trovadores completa 18 anos de formação e a data é simbólica: chegou o momento crucial de pensar novos rumos e de adaptar antigas maneiras de fazer espetáculos. Mas também de olhar para trás e comemorar, com uma extensa programação montada com os principais espetáculos do grupo. As apresentações iniciam amanhã, na Casa dos Palhaços, com espetáculos dos Palhaços Trovadores e de grupos convidados de Belém e de fora do estado.
“Depois de quase duas décadas desenvolvendo toda uma linguagem e poética próprias, estamos em um momento de muita reflexão. Agora, para onde seguir? Qual o caminho? Não sabemos ainda. Este aniversário traz um pouco isso, ao invés de descansar, estamos apostando no novo”, diz o diretor do grupo, Marton Maués.
Com as trovas das tradicionais cantigas brasileiras e dos folguedos, quadrilhas, bois-bumbás, pastorinhas, os palhaços misturam-se com as narrativas e enredos da cultura popular brasileira. E apesar dos rumos ainda serem incertos, algumas configurações apontam para mudanças.
“Estamos criando um novo espetáculo, trilhando caminhos bem diferentes do que já fizemos. Alguns elementos da poética ficam, é claro, mas pela primeira vez estamos pensando em algo que tenha mais cara de teatro, voltado para um espaço fechado, o que nunca fizemos. As nossas peças são voltadas para apresentações na rua e agora a gente está abdicando de muitos elementos que compõem a nossa poética. Vamos esquecer o que já fizemos e buscar outra maneira de fazer própria dos palhaços trovadores”, antecipa Marton Maués.
O diretor afirma também que o momento é de pesquisa sobre circo-teatro, para as referências que devem ser aproveitadas nesta nova fase. O gênero foi comum no Brasil até a década de 1960 e se caracteriza pela incorporação de elementos cênicos nos espetáculos de palhaços no ambiente circense. Marton explica que os integrantes do circo acabavam adaptando grandes espetáculos, como “A Escrava Isaura” e “Coração Materno”, à sua maneira, numa espécie de melodrama. Os Palhaços Trovadores devem estrear em dezembro um desses espetáculos, “A vingança de Ringo”, com texto de Silval Augusto, livremente inspirado na obra de Romano Coutinho, uma mistura dos clássicos filmes de bang-bang com cangaço.
O começo de tudo
“A partir de então seríamos os palhaços trovadores, por conta das trovas, e temos a data da estreia como nosso aniversário, pois constituímos um grupo. E já são 18 anos com pesquisas de elementos da cultura popular que serviram como base do desenvolvimento da nossa poética. E todos nós colhemos frutos, fiz a dissertação de mestrado, tese de doutorado. Todos seguem pesquisando no ambiente acadêmico”, diz Marton Maués.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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