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Ervas: plantas abastecem mercado de cosméticos

Quando Débora Chagas era criança, sua avó e mãe costumavam preparar um banho de cheiro para curar a febre e a gripe. A mistura de ervas aromáticas feita no alguidar de barro é até hoje umas das práticas do saber popular mais comuns na Amazônia para espant

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Quando Débora Chagas era criança, sua avó e mãe costumavam preparar um banho de cheiro para curar a febre e a gripe. A mistura de ervas aromáticas feita no alguidar de barro é até hoje umas das práticas do saber popular mais comuns na Amazônia para espantar os males do corpo e os maus agouros. À água, somam-se ervas como capitiú, pataqueira, catinga de mulata, vindicá, chama, manjerona, chega-te a mim, dinheiro em penca, priprioca. Maceradas com as mãos, elas deixam uma essência amadeirada.

Moradora da Vila de Boa Vista, município do Acará, no nordeste do estado, que recebeu ação socioambiental do festival Se Rasgum no último fim de semana, Débora diz que esta tradição mantém-se viva na comunidade. Por lá, o tempo da natureza dita o tempo das trocas e experiências comunitárias. E por conta disso, na Associação de Produtores Orgânicos de Boa Vista respeita-se o tempo de plantio e colheita de cada uma dessas ervas, que abastecem o mercado do Ver-o-Peso, em Belém, e uma grande empresa de cosméticos.

Uma dessas ervas é a priprioca, uma raiz semelhante a um tubérculo, que fora do solo é igual a um capim. Com uma essência floral e amadeirada desde a raiz, a priprioca bem sendo usada como base de perfumaria, mas também possui propriedades anti-inflamatória, analgésica, antifúngica, antimicrobiana e bactericida, além de ser tonificante, repelente e sedativo.

A pataqueira é outra erva que pode ser encontrada em abundância na região e também é usada pela indústria para produção de perfumes e cosméticos. A planta pode ser encontrada em áreas de alagados, ou como define Débora, “é uma plantinha da beira dos igarapés”. “Aqui é muito comum usarmos para fazer o nosso banho de cheiro. É também usada nas garrafadas quando alguém está doente, ou com uma gripe muito forte”, diz ela, que é secretária da associação de produtores.Já o capitiú é uma árvore da qual se retiram as folhas, de onde se extrai o óleo, usado também em remédios caseiros. Uma prateleira inteira de produtos direto da floresta, hoje usados com respeito à natureza e à tradição de seu uso.

Banho para o corpo e a alma

A terapeuta holística e empreendedora da Xamã Urbana Aromaterapia, Aline Bimont, costuma usar as ervas em suas poções para a cura de problemas comuns, como o estresse. “O banho de cheiro é uma técnica ancestral de cuidados e além da propriedade medicinal, traz o poder que está na energia sutil das plantas, porque a tecnologia e a medicina não tratam os corpos sutis, a energia, tratam a matéria”, explica.Ela explica que os banhos são realizados por diversas necessidades. “Hoje há essa busca de se reconectar com a natureza e com seu equilíbrio, e tudo isso as ervas trazem, um equilíbrio energético”, diz a terapeuta.

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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