Vocês adoram conversar por horas num bar, o melhor da relação é dividir aquele doce preferido, quando estão em casa são os gestos do cotidiano que fazem dela o melhor lugar do mundo. Então por que registrar o amor em fotos posadas no mesmo lugar que centenas de outros casais? Na contramão disso, o paraense Átilla Leon, 25, decidiu dar início ao projeto “Eu Ainda Te Amo”, cujo desdobramento é uma página de mesmo nome no Instagram. Por e-mail, disponibilizado no perfil, os casais podem mandar suas histórias, e se ela o emocionar, ele os convida para um ensaio baseado na história que foi contada, na personalidade de ambos e nos detalhes de suas vidas.
“Encontrar o amor em um sorriso, em um olhar, em uma lanchonete, debaixo de sol e chuva, dentro da sua casa e, o principal, dentro da gente. O projeto nasceu de um menino que ama e se encanta com histórias de amor, quer viver de fotografar casais, que admira uma carta manuscrita com todos os seus erros ortográficos, que acredita no amor e em suas diferenças”, descreve Átilla.
Cheio de idas e vindas, pois Átilla também precisava se dividir entre a vida acadêmica e o trabalho formal como fotógrafo, o projeto agora foi retomado e tem como objetivo mostrar as mais diversas, loucas, engraçadas e tristes histórias de amor. “Ele era o meu projeto de conclusão de curso”, conta ele, hoje no 3º semestre do curso de Comunicação Social – Multimídia do Iesam.
“Os casais que eu escolho pela história não têm custo. Até por isso acho que não recebo ainda tantas histórias, porque as pessoas acham que vou cobrar pelo ensaio”, completa. “Eu gosto muito de ler essas histórias e de uma forma ou de outra contribuir para o sentimento deles. Acontece muito de um casal pagar para fazer um ensaio, você pergunta em qual lugar e eles falam Mangal das Garças, Estação das Docas. Encontrar o lugar certo, registrar o cotidiano, é trazer o real sentido da foto”.
(Foto: Átilla Leon)
Cinco casais já foram fotografados e outras histórias ainda estão por vir. “A última sessão ainda não foi publicada. Ela foi dentro da casa e a gente vê o quanto é válido o casal ter esse registro, comendo, assistindo TV. Foi o primeiro casal que eu senti: ‘Essa é a linha do projeto’. Não tem lugar mais íntimo que o lar. A verdade é que todas as sessões foram muito boas para mim também. Eu sempre acabo pegando um pouquinho desse sentimento bom que eles emanam”, diz Átilla.
Em cada registro, um aprendizado
(Foto: Átilla Leon)
Mas, até o momento, o fotógrafo considera que a história do Zé (José) Adailton e da Maíra Martins foi a mais bonita que já encontrou. Ele teve que viajar. E ela começou a fazer o Bazar das Grrrls para juntar dinheiro e encontrar com ele. “Esse lance da distância, que não impediu os dois de continuarem juntos, a decisão de perdurar. É difícil hoje as pessoas conseguirem mesmo manter algo, acho que o projeto também fala um pouco disso através dessas histórias”, comenta Átilla.
“Recebemos o convite por intermédio de uma amiga, Amanda Campelo. O Átilla apresentou o projeto e ficamos encantados com a possibilidade de fazer um registro do nosso relacionamento em nossa cidade. Surgiu a ideia de fotografar em um bar e o lugar foi o Meu Garoto, onde vivemos muitas coisas divertidas com amigos ou só nós dois. O Átilla é um profissional super empenhado e cheio de paciência que topou nossa loucura em um sábado de calor”, relata Maíra.
“Acredito que o projeto é incrível, lindo, dá para perceber nas fotos, mas vai muito além de somente um registro. Com essa experiência, nós conseguimos perceber que coisinhas bobas fazem toda a diferença na convivência com o companheiro. O projeto ensina também a conhecer o outro, que muitas vezes nós vamos esquecendo ao longo dos anos e na correria do dia a dia. Foram dois dias de fotos. Nós rimos, conversamos, quase fomos atropelados, fizemos amigos e cada minuto valeu muito, foi um misto de sentimentos”, completa Maíra.
(Lais azevedo/Diário do Pará)
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