Com obras que revelam poéticas do encontro, do diálogo com o outro, o artista Alexandre Sequeira apresenta, a partir do próximo dia 29 de novembro, a exposição “Meu mundo teu”, no Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR), com curadoria de Clarissa Diniz e Janaína Melo. São fotografias, instalações, registros sonoros e outros elementos que saíram do suporte artístico e serão colocados no museu como fragmentos de seu percurso criativo, suas andanças com equipamento fotográfico e lembranças de suas pesquisas pelo interior do Pará, de Minas Gerais, ou mesmo o Morro da Providência, na capital fluminense.
O recorte expográfico da mostra – que segue até fevereiro de 2017 - contempla 15 anos da trajetória do artista paraense, a partir do trabalho “Identidade Calcinada”, considerado o primeiro projeto apresentado com essa que viria a ser uma marca de sua produção: a cocriação e a necessidade de entender o tempo do outro para a elaboração de suas próprias obras. Compõem a mostra obras das séries “Nazaré de Mocajuba”, “Lapinha da Serra”, “Ser com a Memória”, além de parte de projetos educativos desenvolvidos com adolescentes.
Além disso, as obras da exposição serão todas incorporadas ao acervo do MAR para a criação de um novo Fundo de Obras, intitulado com o nome do artista – o Fundo de Obras Alexandre Sequeira. Com isso, o MAR passar a ser um centro de referência no país em relação à produção artística do paraense, podendo assim propor ações de pesquisa e circulação de conteúdo referente à produção de Alexandre por outras instituições culturais do país e do mundo.
Os companheiros da Mata Capim. (Foto: Alexandre Siqueira/Divulgação)
Exercitando o tempo da escuta
“O meu trabalho tem um exercício de escuta. Respeito o tempo das relações, o que é muito simbólico e criam-se dobras que guardam valores, que nem sempre são ou se definem por códigos do circuito da arte contemporânea, no limite de uma tradição. Longe do sentido do ponto de vista poético. Para mim é um aprendizado de respeito à escuta e de entender o tempo do outro. Às vezes é um tempo que estou só me permitindo estar com eles, rindo, conversando, falando de problemas, e que são os pontos de ancoragem e como o trabalho começa a se definir, como uma demanda permanente de aprendizado. Não existe padrão ou modelo para aprimorar a relação, cada encontro é um encontro”, diz o artista.
Os guardiões do tesouro de Lapinha. (Foto: Alexandre Siqueira/Divulgação)
Além das obras já realizadas, a exposição apresenta também a instalação de fotografias e objetos “Constelação do Tião”, desenvolvido especialmente para a mostra, com imagens realizadas pelo fotógrafo Tião, que morava no morro da Providência e ao falecer, deixou caixas com registros fotográficos de famílias inteiras em eventos como batizados e casamentos, carnavais, e que seriam jogados fora pela sua família. O material foi parar no acervo do Museu de Arte do Rio e agora será exposto a partir da ótica sensível de Alexandre.
“O Morro da Providência é um lugar histórico, onde o samba começou, onde ficava o Cais do Valongo, por onde chegaram milhares de negros no Brasil, e se confunde com a origem da cidade do Rio. E nesse morro ocorreu algo muito especial para mim, que foi ter conhecido a obra desse fotógrafo que morreu pobre, mas deixou um enorme espólio e agora estou desenvolvendo essa homenagem. Comecei a perceber várias fotografias e me dei conta de que eram encomendas. Comecei a procurar no morro e fui encontrando as pessoas e passei a entregar as fotos, após mais de 20 anos. Elas ficaram muito emocionadas”, conta o artista.
(Lais azevedo/Diário do Pará)
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