Os artistas Armando Sobral, Elaine Arruda, Elieni Tenório, Diô Viana, Pablo Mufarrej, Jocatos e Ronaldo Moraes Rego acabam de abrir uma nova porta para que seus trabalhos sejam conhecidos e apreciados pelo público europeu. Eles participaram da exposição “Conexão Gráfica”, na House Of Arts & Crafts de Amsterdã, na Holanda, com obras que representam a diversidade da produção da gravura contemporânea no Pará, dentro do Mês da Gravura (Maand van de grafiek), quando mostras e projetos acontecem em 140 cidades holandesas.
Foram 10 dias de atividades em outubro, com mostras de documentários e oficinas. Ron Beumer, Hilda Boer, Jeroen Brugman, Emmy Dijkstra, Joyce Ennik, Hannah Pica, Flip Lambalk, Lego Lima, Mariken Oltheten Herma Sturgeon e Thoets coletivos gráficos (com trabalhos de Jan Baas, Ina Brekelmans, Ellen Huijsmans e Toes Steven) também compõem a mostra.
A curadoria das obras dos paraenses é feita por Armando Sobral, que há alguns anos vem desenvolvendo projetos em parceria com instituições e outros curadores da Holanda. “Para nós é uma satisfação essa mostra, já que o país tem uma escola de gravura muito forte e tem em seus maiores representantes Rembrandt, um dos artistas mais importantes do século 17, com uma obra gráfica revolucionária”, comenta Armando.
O curador vislumbra ainda nessa aproximação possibilidades de intercâmbios e outras atividades culturais com artistas do Pará e da Holanda. A ideia é trazer a mesma mostra para Belém, em 2017.
“Já fui algumas vezes para a Holanda desenvolver projetos, organizados pela Joyce, e como ela respondeu por esse segmento da gravura, fez o convite para apresentar essa produção da gravura contemporânea paraense, que foge do modelo de gravura arraigada numa tradição mais do expressionismo, como ocorre no Sul e Sudeste desde o movimento moderno. Aqui é diferente, do ambiente aos procedimentos até a construção da imagem, que tem uma influência ribeirinha, uma paisagem de força popular, mística, suburbana”, comenta Armando Sobral.
COLETIVOS
O artista Armando Sobral lembra que o primeiro atelier de gravura de Belém surgiu na década de 1980, no Museu Emílio Goeldi, e na Galeria Elf, incentivada por Gileno Chaves.
“Desse movimento, o Jocatos e o Ronaldo Moraes Rego seguiram mais firmes na produção de gravura e prepararam esse terreno, com a manutenção de atividades, mesmo quando não existia mercado nem para linguagens mais tradicionais, como a pintura. Em 2001, quando retornei a Belém, retomei esse movimento com as vivências dos ateliês públicos de São Paulo, numa nova metodologia de ensino da arte na Fundação Curro Velho”, diz Armando.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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