Na rotina dos atores, é comum realizar ensaios que mexem com as emoções e com o corpo, como base para a preparação de personagens. Esses chamados exercícios cênicos também podem servir a um público que não necessariamente deseja aprender sobre teatro, mas espera fazer uma imersão em si mesmo. É essa a proposta da “Vivência do Ser Um”, que a atriz Sandra Perlin orienta durante todo o sábado, dia 12, em Belém, e que está com inscrições abertas.
A ação inicia com encontro do grupo, às 8h30, em frente à Igrejinha de São João Batista, no bairro da Cidade Velha. De lá, os participantes seguirão vendados até a sede do Grupo Cuíra, na Rua Dr. Malcher, a um quarteirão do ponto de encontro. A ideia é suprimir a visão e poder “enxergar” com outros sentidos.
“Só de fazer isso já traz uma percepção enorme, já que vivemos hoje com a valorização da imagem. Isso proporciona a descoberta de outros sentidos. Eu mesma fiz esse percurso e senti o gosto de gasolina na boca, senti cheiro de café com leite doce, escutei uma pessoa que vinha na rua. A ausência da visão é um exercício recorrente de quem faz teatro e muito importante para ativar sentidos”, diz a atriz.
Em outro momento, os participantes serão convidados a escrever cartas para eles mesmos. Sandra pergunta-se: “qual a última vez que você recebeu uma carta de verdade?”. “Esse exercício vem do meu mestrado em arte, em que eu escrevia cartas para mim mesma e depois avaliava de forma crítica. O que se tem importante para viver?”, questiona-se.
Ela acredita que, por conta dessa crença, muita gente acaba deixando para investir em suas realizações apenas em momentos específicos, como as férias, aposentadoria, mas que é preciso pensar além.
“A vivência do ser nasce, e esse nome já é pomposo, para pensar sobre o que a gente faz. São atividades simples, não muito complexas, que levam a perceber a própria essência, a vida de cada um. Não precisa mudar nada. A vivência leva a perceber o próprio cotidiano e como isso é emocionante, pois existe uma crença que nos a leva a pensar que nosso cotidiano é repetitivo e sem graça e que fazemos tudo de forma mecânica. Mas somos criativos e não nos percebemos na função de um ser humano que faz as coisas com emoção”, explica a atriz.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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