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Lineker se apresenta pela 1ª vez em Belém

São apenas 20 anos de vida e um nome que desponta como revelação na música já no primeiro disco, “Remonta”, lançado há dois meses. Apenas? Para Liniker, que começou a escrever as letras deste disco aos 16 anos, em Araraquara, onde vivia com a família, “a

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São apenas 20 anos de vida e um nome que desponta como revelação na música já no primeiro disco, “Remonta”, lançado há dois meses. Apenas? Para Liniker, que começou a escrever as letras deste disco aos 16 anos, em Araraquara, onde vivia com a família, “a idade não é o lance”. E o tempo, sim, pode ser um detalhe.

Afinal, muito aconteceu, tudo intenso, desde que se reuniu a outros músicos da cidade natal, e da sala da casa de um deles, saíram as gravações das três músicas do primeiro EP de Liniker e os Caramelows, “Cru”, lançado em 2015, pelo Youtube. “Caeu”, “Louise du Brésil” e “Zero” alcançaram milhões de visualizações e levaram o recém-formado grupo a uma inesperada turnê de mais de 80 shows em todo o Brasil. E a um disco cheio, o “Remonta”. Agora, eles chegam a Belém, onde se apresentam pela primeira vez neste sábado, no Insano Marina Club.

Intenso. É o se que espera ao ouvir versos como os de “Zero”, replicando num looping ritmado “A gente fica mordido, não fica?/Dente, lábio, teu jeito de olhar/Me lembro do beijo em teu pescoço/Do meu toque grosso, com medo de te transpassar”.

E é o que se tem na figura de Liniker, muito confortável em suas roupas femininas e de repente símbolo de uma geração em busca de liberdade de gênero, de expressão, de criação. No material que apresenta o trabalho a imprensa, a descrição é de cantorx e compositorx, assim mesmo com um “x” no lugar onde devia haver uma letra definidora de gênero. Quando fala, Liniker se descreve no feminino. Não deixa de marcar sua posição, mas limita o que faz musicalmente a uma bandeira.

“Eu acho que a gente tem que hackear todos os espaços, legitimar o nosso lugar de pertencimento. Mas para além de uma bicha preta, de uma mulher trans, eu sou uma cantora e esse é o espaço que eu tenho alcançado com meu trabalho com a banda”, diz.

Liniker explica que as roupas que veste têm a ver com seu lugar no mundo, muito mais do que uma tentativa de parecer moderno. Por isso, diz não se incomodar com comparações e críticas de que não seria inovador. “Cada um se representa do jeito que sente. Se me visto assim é porque eu me sinto à vontade, não é por outras pessoas. A gente tem é que parar de tentar padronizar tudo”.

CONTÍNUO

“Foi muita coisa vivida em um ano. Não tem tempo pra viver estigma”, diz Liniker, sobre a convivência com os Caramelows e a essência mutante da música que produzem. O grupo formado pelo baixista Rafael Barone, o guitarrista William Zaharanszki, o baterista Péricles Zuanon, o trompetista Márcio Bortoloti e a cantora Renata Éssis pegou liga.

“Foi um encontro de pessoas muito diferentes, mas que tinham um tesão em comum de trabalhar com música e também por conta de uma cena pequena, mas muito legal de Araraquara. Liniker puxou tudo isso dando o tônus desse projeto, que desde então veio se transformando”, diz Rafael.

Show
Liniker e os Caramelows
Quando: Amanhã, a partir das 22h
Onde: Insano Marina Club (Rua São Boaventura, 268 – Cidade Velha)
Quanto: R$ 40 (pista) e R$ 60 (área Vip), à venda pelo www.sellcard.com.br

(Diário do Pará com reportagem de Dominik Giusti)

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