O russo Vadim Klokov vivia um dilema entre a pintura e a música. Acabou optando pela música, com a qual se tornou conhecido. Passou 13 anos em Belém, onde atuou como músico e professor da Fundação Carlos Gomes, Universidade do Estado do Pará (UEPA), e tocou fagote na Orquestra Sinfônica do teatro da Paz (OSTP). Atualmente morando em Moscou, ele está de passagem por Belém, se apresentando com sua banda VKTrio, formada em 2009, onde toca piano ao lado do baterista Carlos “Canhão” Brito e do baixista e guitarrista Tom Salazar Cano. Mas as telas e pincéis o acompanham por onde ele passa, e ele apresenta uma série de suas pinturas na exposição “Banquete Amazônico”, que será aberta amanhã, na Casa do Fauno, em Belém. A entrada é gratuita.
“Ainda na infância comecei a pintar e tocar, e a música ficou mais forte. Mas foi um dilema que tive que resolver a vida inteira. Depois me tornei profissional e atuei em vários projetos, mas tomei rumo como solista e voltei a pintar. Nessa exposição apresento um misto de pinturas que foram feitas desde 2010 em Minas Gerais, São Paulo, e Moscou, e outras recentes que pintei aqui”, comenta o artista.
São pinturas que vão do figurativo ao que ele chama de “pintura emocional”. São contrastes de cores, entre o contemporâneo e o passado, que ele destaca por meio de diferentes elementos pictóricos. “Mas tem realismo mágico, como no quadro ‘Baquete Amazônico’, que representa o Ver-o-Peso, com a mesa farta com peixes e frutas, um pouco fora do tempo, com barcos que não são de agora. E também não tem prédios, pode ser o século 18 ou 21”, comenta Vadim sobre a sua produção.
Em Belém, ele trabalha no atelier montado no sítio de um amigo, em Outeiro. E diz que a pintura se torna fundamental também para suas atividades musicais. “A minha música tem contraste de vários estilos, erudito, progressivo, rock, jazz, bossa nova. E a pintura é continuação da minha música. Um atavismo que voltou, uma atividade completa a outra”, diz.
A noite de abertura terá ainda a comemoração dos 10 anos de lançamento do CD “Jivelox”, com show do VKTrio. Com composições autorais, o disco representa, em som, as vivências intensas de Vadim entre Moscou e Belém, expressas pelo neologismo do título – a junção das palavras Jiv, vivo, raiz da palavra vida em russo, e velox, veloz em latim.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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