Presente na culinária japonesa há mais de mil anos, o sushi ganhou o mundo. Nessa viagem, absorveu muitas culturas e gostos. O acréscimo de cream cheese, por exemplo, é mérito (ou não) brasileiro. Ele também se adaptou ao carrinho no meio da rua e aos grandes restaurantes, como o Sobaya, o mais famoso ponto da culinária japonesa de Nova York.
Este mês, dedicado a celebrar o sushi no Japão, pode ser a deixa para experimentar as mais diferentes versões. Como um belo Nigiri Marajoara, um sushi com sotaque paraense, já que por aqui faz um tempinho que a iguaria oriental virou moda.
“Acredito que o próprio contato com culinária em outros lugares, em viagens, permitiu às pessoas apurarem o paladar para a comida japonesa e começar a querer comer aqui”, arrisca Paulo Braga, proprietário do Sushi Ruy Barbosa, um dos lugares que trouxeram uma visão mais contemporânea para o sushi. “Antes, as pessoas começavam pelo frito, hoje são mais abertas a experimentar. O paladar é uma eterna evolução até você chegar num patamar de sensibilidade mais alto. E no Pará, acredito que contribuiu o fato de nós termos uma colônia japonesa muito forte”, completa.
Paulo conta que decidiu investir em um sushi quando há sete anos abriu uma temakeria e fez grande sucesso em Belém. “O paladar do paraense era muito restrito e isso tem mudado drasticamente. A gente traz coisa nova para apresentar aos clientes, mas tem clientes que viajam muito e trazem também muita ideia”, conta ele sobre alguns sushis que são exclusividade da casa. “Tem receita que nós criamos e ficou muito famosa, como o Niguiri
Marajoara, com salmão e queijo do Marajó gratinado. A gente também costuma usar muitos peixes daqui como tucunaré, pescada, e até as ostras de São Caetano já fizeram sucesso”, diz Paulo, que ainda oferece, uma vez por semana, o “Combinado Regional”, com 12 peças diferentes com ingredientes vindos direto do Ver-o-Peso.
Nutrição garantida
O sushi só chegou à forma em que é conhecido atualmente há cerca de 200 anos. A forma tradicional do sushi tem peixe fermentado e arroz, conservados com sal. Quando o peixe estava fermentado, apenas ele era comido, o arroz era descartado. Na versão contemporânea, desenvolvida por
Hanaya Yohei (1799-1858) no fim da era Edo, o peixe não era fermentado, pois era preparado rapidamente, e podia ser comido em bancas armadas na rua ou em teatros.
Os principais ingredientes do sushi tradicional, peixe cru e arroz, possuem baixas taxas de gordura, altas taxas de proteína, carboidratos, vitaminas, minerais e omega-3 (nos sushis com peixe). A carne de camarão é rica em cálcio e iodo, enquanto a carne de salmão é rica em vitamina D. Mas essa qualidade nutritiva nem sempre ocorre com o sushi no estilo ocidental, que adiciona, cada vez mais, ingredientes não tradicionais, tais como maionese, abacate e o tal cream cheese (creme de queijo), que podem alterar o caráter saudável do alimento.
Não é sushi!
Harumaki: foi trazido ao Japão da China e até hoje é considerado uma comida chinesa, como yakisoba. Não é normal servir harumaki junto com, ou antes, de
sushi ou sashimi.
Sashimi: uma iguaria japonesa que consiste de peixes e frutos do mar muito frescos, fatiados em pequenos pedaços e servidos apenas com algum tipo de molho no qual ele pode ser mergulhado – geralmente shoyu, pasta de wasabi, condimentos como gengibre fresco ralado ou ponzu –, e guarnições simples como shiso e raiz de daikon fatiada.

(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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