plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 29°
cotação atual R$


home

_
_

Arte gera reflexão no Dia da Consciência Negra

“Os tambores da Mãe África atravessaram o oceano/ E na vila abriu um sorriso no rosto do africano/ Tocador de pau e corda que aprendeu longe das escolas, os tambores ancestrais/ Sou africano da Vila de Icoaraci”. Os versos do compositor Hugo Caetano Morae

twitter Google News

“Os tambores da Mãe África atravessaram o oceano/ E na vila abriu um sorriso no rosto do africano/ Tocador de pau e corda que aprendeu longe das escolas, os tambores ancestrais/ Sou africano da Vila de Icoaraci”. Os versos do compositor Hugo Caetano Moraes demarcam bem sua referência à cultura negra. O posicionamento é político e cantado em ritmo de carimbó, ao lado dos demais integrantes do grupo Cobra Venenosa, todos moradores de Icoaraci. E este é um ponto fundamental para o grupo: poder, por meio da arte, falar sobre preconceito, racismo e diferenças sociais.

No repertório da Cobra Venenosa, cabe, por exemplo, “Mulheres Negras”, da cantora de hip-hop Yzalú, que ganha a voz de Priscila Duque, cantora, compositora e percussionista responsável pelas maracas no grupo.

O grupo tem formação recente e surgiu do desejo de fazer carimbó com letras diferentes das tradicionais. Como os integrantes são todos negros, vislumbraram na força dos tambores a potência exata para cantar a resistência.

“A gente pensa o carimbó não só para dançar, mas para pensar, com poética livre. Falamos de resistência, amor, luta de classes, feminismo, as opressões. O meu contato com militância cultural de forma independente, das rádios comunitárias, organizações dessa nova cena em espaços abertos, junto à experiência dos outros integrantes com a música, nos despertou mais interesse no carimbó, música pulsante da Amazônia e que pode expressar os sentimentos da nossa geração. Foi uma descoberta tendo como base o batuque, mas com poesia venenosa, que questiona e critica”, explica Priscila Duque.

Com base no carimbó pau e corda, sem instrumentos elétricos, o nome do grupo surgiu a partir da música “O Carimbó Não Morreu”, do disco “A Volta do Carimbó” (1994), de Mestre Verequete, que se diz “cobra venenosa, osso duro de roer”, ao ser questionado se a sua música havia morrido.

Além de Hugo Caetano (voz, banjo e letras) e Priscila (voz, maracas e letras), o grupo também é formado por Melk Moraes, na voz e curimbó, Flávio Gama, músico percussionista e artesão, e Antônia Conceição, também nas maracas. Como um grupo que ocupa espaços públicos, praças e mercados, os integrantes ficam abertos também à intervenção de outros artistas.

“A gente reivindica o carimbó como musicalidade negra e indígena, dos nossos povos ancestrais. A gente valoriza a tradição que é o pau e corda, sem guitarra, baixo e bateria. É por opção e demarcação política. Queremos aprender com os mestres e dar mais visibilidade para os que têm a vivência do carimbó. A gente tem esse vínculo com essa cultura negra, indígena, amazônida, tipicamente paraense e popular”, explica Priscila Duque.

Negritude para ser vista e reconhecida

Conscientes de sua negritude, as amigas Aíssa Mattos e Ana Carla Oliveira decidiram militar contra o racismo e pelo empoderamento de mulheres negras por meio da fotografia, com o projeto “ParÁfrica”, que busca realizar imagens da população negra do estado, em preto e branco, como forma de abrir diálogos sobre a identidade cultural e os problemas cotidianos que o povo negro sofre.

São duas frentes que potencializam o projeto: o caráter artístico e social. “O projeto surgiu por conta da invisibilidade da população negra no Pará. Morei no Rio de Janeiro e em São Paulo e todo mundo relacionava a minha imagem à Bahia e não à Amazônia. Notavam que meu sotaque não era de lá. E quando voltei para Belém, comecei a olhar a nossa gente negra. Mas só nos veem nesse período da consciência negra, nos eventos. Mas pensei: é uma questão estética? Tenho muito mais para falar. Além de sermos afro-amazônicos, temos uma mistura com índio, árabe, branco, é plural. Onde estão essas pessoas? A fotografia facilita esse processo, a gente começa a fotografar para aumentar a autoestima, as pessoas se veem nas fotos, gerando outro processo de empoderamento”, diz Aíssa Matos.

As ações do projeto podem ser encontradas no Facebook, mas também em fóruns de discussão em escolas, eventos culturais e outros espaços em que se fale sobre o povo negro. “A arte nos possibilita entrar nos colégios, ter diálogos com crianças e adolescentes, com a linguagem universal que é a fotografia”, comenta a idealizadora do projeto.

Zimba Groove: black music a favor da militância

Dos encontros nos batuques na Praça da República, surgiu o Zimba Groove, que reúne Jeff Moraes (voz), Wendell Raiol (violão), Ney Trindade (baixo), Douglas Dias e Kleber Benigno (percussão). Com influências da black music mundial e brasileira, além de ritmos paraenses, a reflexão sobre a condição do negro é um dos pilares da banda.

De acordo com Douglas, “o grupo faz arte pensando no protagonismo do negro na Amazônia”. Tanto que uma das principais músicas da Zimba Groove, “Menino Preto”, aborda a questão dos assassinatos nas periferias, sobretudo de jovens negros, que ocorrem em diversas cidades do país.

“É a nossa forma de fazer militância. A gente hoje agradece muito nas apresentações, já temos um público formado por pessoas dos movimentos negros, mas o que é interessante é fazer show para a galera que não tenha essa consciência que possa refletir sobre uma letra”, diz o percursionista.

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em _

    Leia mais notícias de _. Clique aqui!