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Dudu Bertholini e André Lima falam de moda

O estilista paraense André Lima e o paulistano Dudu Bertholini têm muitas coisas em comum. Mas talvez a principal seja a aposta na moda como um campo que se atravessa por diversas outras linguagens para que se tenha êxito. Ainda no início de suas carreira

O estilista paraense André Lima e o paulistano Dudu Bertholini têm muitas coisas em comum. Mas talvez a principal seja a aposta na moda como um campo que se atravessa por diversas outras linguagens para que se tenha êxito. Ainda no início de suas carreiras, eles se conheceram e desde então desfrutam de uma parceria longeva de desfiles e projetos – e não só nas passarelas.

André Lima abriu mão da marca com seu nome, em 2014, por novas configurações do mercado. Dudu Bertholini diz que jamais se restringe a ser apenas estilista. Durante a última quinta-feira, antes de participarem de um bate-papo sobre moda e criação na Feira do Empreendedor, os dois falaram ao Você sobre carreira e como veem hoje o mundo da moda no Brasil e no mundo.


Como foi o início na moda?

#hoje #veropeso #belem #belemdopara

Uma foto publicada por OLHAR ANTIGO (@andrelima_br) em

André: Cortei o cabelo da Susi da minha irmã com seis anos e tirei a roupa e amarrei um pano e aí vi que poderia transformar a boneca. Isso, na minha casa, foi uma grande confusão. Fui crescendo um pouco mais e comecei a interferir nas roupas dos meus amigos, todos eles iam para a minha casa se vestir para ir ao Mistura Fina [antiga boate de Belém]. E aí o que era uma brincadeira começou a ficar sério. Eu aprendi a maquiar e da maquiagem fui para produção de moda, e enfim, acabei fazendo um desfile aqui. E deu supercerto aqui. Eu tinha 21 anos, em 1991, e resolvi ir para São Paulo. E aí lá fui trilhando algumas histórias e começando a carreira assim. Então, se for considerar desde a Susi, já são 40 anos de carreira!


Dudu: Sempre me interessei em como as pessoas se expressavam através do estilo. Quando via alguém com uma forma única de se vestir, ou característica própria muito evidente, aquilo para mim era sinônimo de liberdade, então desde sempre eu me interessei mais por estilo do que por moda. Depois, na adolescência, achava que queria ser diplomata. Depois descobri que existiam cursos de moda. Sou de São Paulo, mas morava no interior e estava louco para voltar para São Paulo e entender o que era essa moda e estilo que tanto buscava. Com 17 anos, entrei na Faculdade Santa Marcelina e comecei a trabalhar logo no primeiro ano da faculdade. O curioso é que depois descobri que para ser estilista tem que ser muito diplomático também, de alguma forma. E de lá para cá tem 20 anos de carreira. Quanto mais eu trabalho, mais difícil é dizer o que sou. Jamais diria que sou somente um estilista. Acho que somos profissionais multidisciplinares que usam o próprio talento e criatividade de “n” formas.



Como é a busca por referências e de que forma a brasilidade está nas criações de vocês?


André: Para nós é natural receber estímulos. A gente acorda e já entra em alguma rede social, já começa a salvar imagem e entender o que está ocorrendo. Uma coleção, por exemplo, quando começa e quando acaba? Não existe esse processo. Na verdade as coleções se entrelaçam e é interessante que algo que ocorreu na coleção de cinco anos atrás pode voltar e fazer parte a qualquer momento, de uma outra maneira, nova e aparentemente inédita.

Dudu: E isso é muito lindo porque a pesquisa de moda é constante e está muito mais ligada a uma percepção aguçada e sensível do mundo à sua volta. E no nosso trabalho a gente tem a chance de interpretar o mundo à
nossa maneira.

Dudu, você é conhecido por ser extravagante e ter como referências as cores vibrantes. De onde vem essa referência e preferência?

Dudu: Adoro essa pergunta, mas estando ao lado no André e no Pará, é mais legal responder porque acredito que tanto meu trabalho quanto do André tem esse viés de brasilidade contemporânea, e acho que somos brasileiros por essência. Mas não acho que só tem isso quem faz (moda) com estampa. Seria uma leitura rasa, mas de alguma forma a gente interpreta de forma universal. Viemos aqui incentivar o Pará, que tem uma cultura fantástica e exuberante, (para mostrar) o quanto não precisa ir longe para poder ser inspirado e nem precisa estar restrito a isso. Existe uma urgência maior do que estética, mas humana, da gente olhar para o que está ao nosso entorno, a nossa cultura, mas de forma universal.

André: Sempre tive interesse por tudo que era exótico, mas via isso de forma muito natural. Nunca tive problema com isso. Dizíamos que era mururé. Tem que jogar para o mundo. Essa relação entre local e global nunca foi pensada, ocorreu simultaneamente.

Dudu: A gente puxa para pontas muito opostas. Você pode ser regionalista e futurista, pode ser orgânico e tecnológico. Porque o mundo é assim, e a moda é o espelho do mundo. Então, o mundo é pautado em sustentabilidade e tecnologia, que parecem opostos, mas são complementares.

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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