Com a ideia de dar protagonismo aos objetos e deixar o público “escutar” a retórica dos materiais em cena, os mineiros da Companhia Suspensa passaram a investigar de maneiras diferentes de usá-los em seus espetáculos de dança. Vindos da escola de circo de Belo Horizonte, mas com diferentes formações, como dança, ginástica olímpica e teatro, eles desembarcam hoje em Belém, onde ministram uma oficina sobre seu processo criativo, já com vagas preenchidas. Na sexta, 25, e no sábado, 26, apresentam no Curro Velho o espetáculo “Margens”, a partir do Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna – 2015, criado para promover a circulação de espetáculos.
“O início da nossa pesquisa foi dentro do universo circense de aparelhos aéreos, com trapézio, tecido. Nos interessamos em como o corpo se comportava ‘sem os pés no chão’. É um trabalho muito preciso, que necessita de sintonia fina entre os bailarinos. Mas acho que é um pouco dos dois: antes éramos oito, depois fomos no dividindo e cada um procurando seus interesses. Ficamos muito tempo com quatro em cena e há dois anos somos três. Por um lado facilita. Imagina três corpos que trabalham juntos há 15 anos...”, diz Patrícia Manata, integrante da companhia.
A bailarina diz que o vasto tempo juntos faz com que todos tenham uma harmonia muito grande e diz que hoje estão ainda mais sincronizados. A ela, juntam-se Lourenço Martins Marques e Roberta Manata, além dos convidados Gabriela Christófaro e Pablo Lobato. Vencedora do Prêmio Fundação Clóvis Salgado de Estímulo às Artes Cênicas na categoria Montagem – Teatro e Dança, a Companhia Suspensa tem como objetivo fazer com que corpos e objetos se confundam.
Pesquisa dividida com colegas a cada cidade visitada
A Companhia Suspensa tem um espaço próprio de trabalho, acolhe vários grupos e artistas independentes. Em Belém, eles ministram hoje e amanhã uma oficina em que procuram introduzir seu pensamento artístico, pautado na autonomia e na investigação, e reflexo de 15 anos pesquisando o movimento nas fronteiras entre dança, circo e artes performáticas, e testando novas formas de conectar o corpo a objetos e diferentes materiais.
“Tentamos manter um circuito artístico que não obedeça apenas às regras do mercado. Por isso é muito importante que aconteçam as oficinas com os artistas locais, pois é nesta hora que conseguimos um laço maior. E a intenção é abrir um canal de comunicação e trocas com estas cidades pelas quais passamos, para que não só a gente possa ir, mas também possamos recebê-los em Belo Horizonte”, diz a bailarina Patrícia Manata.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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