Um disco para voltar para casa. Quando os integrantes da Orquestra Contemporânea de Olinda receberam o financiamento para fazer o seu mais recente álbum, “Bomfim”, vinham de uma série de viagens pelo Brasil e mundo afora. E quando chegaram à cidade pernambucana que carregam no nome, veio o desejo de se voltarem mais ainda para as raízes que trazem em suas influências sonoras. Daí o terceiro disco da banda – que será lançado hoje em Belém, na Lambateria, a festa realizada pelo guitarrista Félix Robatto, nesta edição em parceria com Se Rasgum – estar repleto de frevo, maracatu, além de composições com sons do candomblé e também forró.
Gilú Amaral, percussionista e fundador da banda, acredita que o sentimento do retorno ao lar foi fundamental para a produção artística. “Acho que vem refletindo mais a nossa história, os ritmos, o povo. Diferente do segundo [“Pra Ficar”, de 2012], em que ousamos mais em termos de criação e experimentação, nesse buscamos mais o que já tinha em Olinda, Recife, que são cidades irmãs, preservando nosso som regional. Somos uma banda muito brasileira, de Pernambuco, mas também com as coisas boas que têm no mundo. Mas nosso regionalismo faz toda diferença, somos de uma região muito rica, que é o Nordeste”, diz o músico.
A big band se completa com Rapha B (bateria), Hugo Gila (baixo), Juliano Holanda (guitarra), Tiné e Maciel Salú (vocais), e o Maestro Ivan do Espírito Santo (saxofone), que se unem ao trio de metais (trompete, trombone e tuba) vindo do Grêmio Musical Henrique Dias, primeira escola profissionalizante de frevo de Olinda, em atividade ininterrupta desde 1954. A ideia de trazer os músicos do grêmio à orquestra foi do próprio Gilú, que queria unir dois dos principais símbolos musicais de Pernambuco.
“O frevo é nossa referência mundial e outro ritmo é a percussão o maracatu. E a minha ideia foi juntar essas escolas, aproveitando que a cena do manguebeat abriu as portas para isso, e eu também participei na década de 1990. A gente faz esses diálogos, é uma vivência diária, não é uma pesquisa, somos nós. A cultura popular faz parte do nosso trabalho e trazemos esse ar contemporâneo com a orquestra, o que é nosso, com outros instrumentos. Olinda é muito cosmopolita e recebe gente do mundo todo e isso influencia na nossa forma de compor”, comenta Gilú Amaral.
Indicações a prêmios reforçam trajetória
Formada em 2007, a Orquestra Contemporânea de Olinda sente-se segura de sua trajetória e comemora os feitos recentes, como indicações ao Prêmio da Música Brasileira (2009) e ao Grammy Latino (2010). Em 2009, o jornal “O Globo” considerou a apresentação da Orquestra um dos melhores shows do ano. No ano seguinte, eles ganharam meia página do “The New York Times” falando da apresentação feita no Lincoln Center, em Nova York, na primeira turnê pelos Estados Unidos.
Para comemorar os 10 anos da banda em 2017, o percussionista Gilú Amaral diz que espera gravar um novo álbum. “A trajetória da banda é bem bonita, com seriedade e profissionalismo. Estamos felizes de voltar pela quarta vez a Belém, já temos um público aí. Agora já estamos pensando também no próximo disco”, diz Gilú.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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