Nascido com a intenção de fazer seu público refletir sobre diversas temáticas socioculturais, valorizar artistas de diversas vertentes e ocupar os espaços públicos da cidade com programação que a valorize, o projeto Estação Cultura realiza amanhã sua 4ª edição, com foco na cultura urbana.
Para compor esse cenário, não tinha lugar melhor que a praça do Mercado de São Brás, conhecida por receber, ao longo da semana, skatistas, admiradores de street dance e outras artes urbanas.
“Nós não programamos um evento com a ideia de ‘show pelo show’. É de valorizar a cultura do nosso Estado em frentes variadas”, pontua Marcelo Oliveira, sócio-fundador da Três Comunição, realizadora do evento.
A levada urbana dessa edição inicia com a apresentação de videomapping, o projeto Ecuador, com regionalismo em uma nova batida, e o hip hop paraense dos Cronistas da Rua.
“A proposta para o sábado é tocar muitas brasilidades com latinidades. Todos os ritmos são pensados para a pista, a gente quer ver o povo dançando”, diz Tamiris Balieiro, que com o irmão Cláudio Cirio compõe o duo do projeto Ecuador.
“O nosso projeto já nasceu da ideia de tocar, reunir pessoas para ressignificar locais como praças, casarões históricos, locais que precisam de certa atenção, para ocupar com cultura, por isso a gente se sentiu privilegiado de tocar nesse evento”, completa Tamiris.
A sonoridade black também vai compor a programação, já que o mês de novembro é marcado pela consciência negra. A organização convidou o grupo Zimba Groove, que passa a mensagem de valorização do protagonismo da cultura negra na Amazônia. Ainda dentro desse contexto, o evento terá o som dos tambores das Mulheres do Fim do Mundo.
Carimbó terá vez em versão contemporânea
Mesmo diante desse cenário mais urbano, a Estação Cultura se preocupa em incluir ritmos tradicionais, como o carimbó e a guitarrada. Para compor esse universo, terá a apresentação do grupo de carimbó Sancari, nascido na comunidade Álvaro Adolfo, no bairro da Pedreira, e que preserva o sotaque de pau e corda do ritmo mais paraense.
No encerramento do evento, se apresentam a Orquestra Pau e Cordista de Carimbó com o guitarrista Lucas Estrela. Eles vêm trabalhando em uma parceria que envolve uma nova linguagem do carimbó, em diálogo com gêneros universais, como mostraram recentemente em show no festival Se Rasgum, numa mistura do ritmo com as tecnoguitarradas.
“A gente está preparando um repertório baseado na memória do carimbó, com a obra de Mestre Verequete, Mestre Lucindo, mestres da Região do Salgado que já se foram, do Marajó, e mestres mais contemporâneos, como Pinduca e Dona Onete. Aliado a isso, a guitarrada do Lucas, misturando as linguagens”, adianta Douglas Dias, percussionista e diretor musical da Orquestra Pau e Cordista.
“Acho que a importância de se promover um evento em um lugar como o Mercado de São Brás é justamente não focar num só nicho de público. Por ali passa o pessoal do hip hop, skatista, o pessoal da batucada, do carimbó, enfim, a interação com todos os tipos de público”, completa.
Serviço: Multifacetado Estação Cultura Mercado de São Brás Quando: Amanhã, das 17h às 22h30 Onde: Praça do Mercado de São Brás (Esquina das avenidas José Bonifácio e Almirante Barroso, s/n, São Brás) Quanto: Aberto ao público |
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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