
Paraense é uma das vozes da 5ª temporada, que estreia amanhã no Canal Brasil (Foto: Julia Rodrigues)
Por vezes chamados “poetas malditos”, Sidney Miller, Sérgio Sampaio, Torquato Neto e Waly Salomão formam um grupo seleto de compositores na música brasileira, algumas vezes indo à margem do caminho, sempre com canções fortes. Para homenagear a obra fundamental deles, o programa “Cantoras do Brasil” inicia sua quinta temporada amanhã, no Canal Brasil, sempre às 20h45. E entre as 13 cantoras expoentes do atual cenário musical brasileiro que vão colocar um olhar feminino nessas canções, inicialmente interpretadas por homens, está a paraense Aíla da TF.
Ela apresenta duas canções nesta temporada. A primeira é a inédita “Hoje Não”, de Sérgio Sampaio, música com a qual Aíla teve seu primeiro contato enquanto fechava o repertório de “Em Cada Verso um Contra-Ataque” (2016). “Foi um amigo que me apresentou. Só tem um vídeo no Youtube, do Sérgio cantando em um barzinho. Quando fui convidada para o programa. logo pensei nela”, conta a paraense. Na gravação para o “Cantoras do Brasil”, Aíla decidiu ousar e fazer algo bem experimental. “A formação da banda que escolhi nessa faixa foi voz, bateria e contrabaixo. Na bateria, meu conterrâneo Arthur Kunz, da banda Strobo, e no contrabaixo, o baiano João Deogracias. O resultado ficou bem dramático e bonito”, comenta.
“Fiquei feliz porque não tem gravação oficial da canção, o Sérgio nunca registrou ela em nenhum disco. É um material bem inédito e que fala de revolta: ‘hoje não tem nada disso de ser feliz por aí’. Fala muito sobre hoje eu estar a fim de fazer ‘o que der na telha’”, comenta Aíla sobre o teor da canção.
A outra canção foi uma escolha conjunta com a produção do programa, “Assaltaram a Gramática”, com letra de Waly Salomão e música de Lulu Santos. Esta tem gravação do próprio Lulu e uma regravação feita pelo Paralamas do Sucesso. “Nessa canção, fizemos para o programa um arranjo com influências de brega e tecnobrega. O resultado ficou bem inusitado. A letra da música é superirônica e pop, acho que combinou bastante. Além disso, fizemos imagens para o extra do programa, experimentando a técnica de body mapping, onde convidei a artista visual paraense Roberta Carvalho para somar comigo. Ela projetou frases das poesias de Waly Salomão no meu corpo, e o resultado é bem bonito e lúdico, com diálogos entre performance, poesia visual e arte-mídia”, revela Aíla.
Além dela, outras paraenses, como Camila Honda e Natália Matos já foram convidadas a representar a voz feminina do estado em temporadas anteriores.
ESTREIA
Com a direção de Jacob Solitrenick e a seleção de conteúdo por Mariana Rolim, Mercedes Tristão e Simone Esmanhotto, também idealizadoras do projeto, a nova temporada estreia amanhã, com a intérprete Marina de La Riva. A carioca empresta seu estilo característico a duas composições de Sidney Miller: “É Isso Aí” e “Nós, os Foliões”. No segundo programa, a cantora Sara Não Tem Nome homenageia Sérgio Sampaio com a faixa “Que Loucura”, e Torquato Neto com sua versão intimista para “Três da Madrugada”. Ainda nesse quinto ano do programa, Barbara Ohana escolheu a clássica “Vapor Barato”, de Waly Salomão e Jards Macalé, enquanto Duda Brack pegou “Mal Secreto”, também da dupla.
A lista de convidadas segue com outros destaques da nova safra, como Estrela Leminski e Laura Lavieri, também conhecida por seu trabalho ao lado do cantor e compositor Marcelo Jeneci. “Acho o programa super importante para a cena feminina do Brasil, feita de muitas cantoras talentosas, e por permitir a todas nós experimentar e se aprofundar na obra de outros compositores. A gente dá cara nova a canções importantes com essas novas interpretações. Tem muita gente bacana nessa temporada, gente de quem eu curto muito o som”, comenta Aíla.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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