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Performers comemoram aniversário do espaço Reator

Através do projeto “Conexão Curimbó”, idealizado por um de seus integrantes, o coreógrafo Danilo Bracchi, o Estúdio Reator comemora cinco anos como importante espaço experimental da capital paraense. Em sua 4ª edição, o projeto apresenta hoje, às 20h, tra

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Através do projeto “Conexão Curimbó”, idealizado por um de seus integrantes, o coreógrafo Danilo Bracchi, o Estúdio Reator comemora cinco anos como importante espaço experimental da capital paraense. Em sua 4ª edição, o projeto apresenta hoje, às 20h, trabalhos solos de cinco artistas, com entrada franca, e de sexta a domingo, às 19h30, um grupo ainda maior de artistas convidados pelo projeto apresenta uma produção coletiva chamada “Lugar das Coisas”, desta vez na casa Reduto 560, com o ingresso sendo a arrecadação de alimentos não perecíveis para doar às ocupações em escolas.

A mostra de performances foi pensada a partir do conceito do trânsito de corpos e identidades movediças que caracteriza o projeto, realizado coletivamente pela Companhia de Investigação Cênica. As apresentações iniciam com a performance “Protocolo.DOC”, de Daniel Moura. Danilo Bracchi segue com “Uma Coreografia para Minha Calça”. A uruguaia Patrícia Mallarini apresenta “Retorno”. Cleber Cajum traz “Casa de Caba”. E, encerrando a noite, no espaço externo ao Reator, o baiano Márcio Nonato performa “O Que é Isso - Exp. 01: Ariadne”.

Como anfitrião, Danilo Bracchi fala um pouco sobre o que ele apresentará durante a mostra. “Uma Coreografia para minha Calça” foi iniciado com uma bolsa do antigo Instituto de Artes do Pará e, segundo ele, é um trabalho em aberto. “A gente nunca tem que deixar a obra fechada. Foi um trabalho sobre dança, mas que o resultado final foi uma instalação fotográfica. Influencia forte, já que fui fotógrafo por muito tempo. E mesmo antes disso, eu já pensava em desdobrá-la em uma performance, algo que acabei desenvolvendo no Reator”, explica.

O que o coreógrafo vai apresentar, na verdade, é apenas um trecho, uma das historias das calças que interferiram em seu processo criativo. “Todos os cinco solos apresentados são recortes das pesquisas que eles têm desenvolvido. No caso do Daniel Moura, a performance é o recorte da pesquisa de doutorado dele. Todos são pesquisadores, alguns da academia, outros não. E isso (reunir todos) é legal porque faz tempo que a gente não se vê e teremos a oportunidade de ver um pouco daquilo em que cada um tem trabalhado”, comenta Danilo.

Sequência da performance “Uma Coreografia para a Minha Calça”, que será apresentada hoje no Estúdio Reator. (Foto: Suane Melo/Divulgação)

Conexões com a arte e a vida

“O Conexão Curimbó busca outro corpo na cena contemporânea, e se quer um espaço de convívio e implosão de antigos valores tanto na dança quanto na formação cidadã. Tão importante quanto experimentar novas linguagens artísticas é ser um laboratório de viver com o outro”, afirma Danilo Bracchi. E foi dividindo a mesma casa, alugada para uma temporada de 25 dias, no Reduto, que ele e outros artistas – alguns selecionados, outros convidados - puderam apurar, na convivência diária, seus questionamentos, suas diferenças e semelhanças de pensamento, processo criativo, pensamento político.

“Eu falo que o Conexão é também um encontro de tambores, de diversas regiões do país. A imersão foi muito forte e reforça o pensamento de que há uma necessidade forte de formação em dança aqui em Belém, de mostrar outros caminhos, outras formas de como a dança pode ser. Dança, performance, teatro, está tudo ligado”, afirma o realizador.
Em quatro edições, ele conta que foram cerca de 400 pessoas envolvidas como espectadores e realizadores do projeto. “A gente conseguiu falar mais sobre essa dança que está sendo falada mundialmente, uma dança mais política, que não se preocupa só com a estética do belo”, completa Danilo Bracchi.

“Eu acho que vou sair daqui com mais questões do que eu trouxe. Reencontrar os amigos, poder trabalhar com eles e desenvolver um modo de operar juntos para criar, pensar a vida, pensar a gente, está sendo muito especial. Faz a gente sair com mais desejos e vontades, querendo que o projeto seja potencializado, cresça. É um processo inacabado e isso é bom”, comenta o coreógrafo baiano Jai Bispo, um dos convidados para o Conexão Curimbó e que se apresenta no final de semana com “Lugar das Coisas”.

Além dele, houve a participação de diversos artistas de Curitiba, Salvador, Manaus, Brasília, Recife, Santarém e Belém. Jornalistas, músicos, artistas visuais, entre outros profissionais, também passaram pela casa contribuindo para o projeto. “Está sendo feito um documentário, provavelmente será realizada também uma vídeo-dança, são alguns desdobramentos possíveis”, revela Danilo Bracchi.

(Lais Azevedo/Diário do Pará)

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