Uma grande reunião de bandas vai movimentar a cena de metal/hardcore em Belém neste sábado. É que acontece a primeira edição do Xaninho Festival, no Açaí Biruta. A partir das 15h, vão passar pelo palco algumas das bandas mais aclamadas da cena nacional, como As Mercenárias (SP), NervoChaos (SP), Mystifier (BA), além da atração internacional Boargazm (África do Sul). Dentre as bandas paraenses, estão na programação Miseráveis, Delinquentes, DNA, Retaliatory e Sokera, entre outras.
“A cena metal de Belém é uma das melhores da América do Sul no quesito público. São pessoas apaixonadas e que vivem o heavy metal nos seus cotidianos, mas falta incentivo, apoio cultural pra isso. E nesse sentido, o Xaninho Festival vem como uma alternativa. O festival está sendo feito na raça, com dinheiro do nosso próprio bolso”, conta o produtor cultural e organizador do evento, Ícaro Veiga, da produtora Xaninho Discos, explicando que a maior motivação para produzir o festival é poder movimentar a cena, fazendo um intercâmbio de bandas.
A escolha das atrações levou em conta nomes que certamente vão mexer com a memória afetiva do público que curte esse tipo de som. “Bandas que viveram os anos 1980 estão no front desta edição. Creio que a palavra nostalgia é o que vale para o público que viveu aquela época, e é nisso que estamos apostando”, diz Ícaro, cuja produtora, em nove anos de atividades, já trouxe a Belém shows de gente como Marky Ramone, Michel Graves (Misfits), Tankard, Krisiun, Ratos de Porão e Cólera.
De volta, Mercenárias são atração do festival
Nos anos 1980, elas foram referência no Brasil: uma banda punk formada só de mulheres, com um som influenciado por artistas como Siouxsie, Joy Division e Sex Pistols. A banda fez sucesso e lançou dois discos, mas acabou se dissolvendo e só retornou à ativa em 2005, quando uma de suas fundadoras, Sandra Coutinho, voltou da Alemanha e criou uma nova formação. Hoje, a banda é formada por Sandra, Silvia Tape e Michelle Abu. E é Sandra quem fala sobre o retorno e o show em Belém:
P São trinta anos de estrada, passando por novas formações e um hiato de alguns anos. O que significa para você ver a banda na ativa, especialmente agora com uma cena, público e mercado em constante mutação?
R Sim, hiato de 14 anos, tempo que morei na Alemanha. Por vezes, fico surpreendida com os shows, pois nosso público atual é eclético e engloba várias gerações, diferente daquele dos anos 1980. A linguagem musical da banda é contemporânea justamente porque atualmente todos os gêneros estão presentes e dialogando. Acredito que qualidade e originalidade sempre podem sobreviver e durar.
P Quais são os desafios de montar uma banda feminina em um cenário predominantemente masculino?
R Uma vez sendo competente e trazendo um diferencial sonoro associado com o visual, só vejo vantagem.
P As Mercenárias é uma banda formada por mulheres, mas contou com a participação masculina do guitarrista Edgar Scandurra. Como foi esse período? Qual a relação que vocês mantêm com ele e qual a importância da sua contribuição na banda?
R O Edgard se ofereceu para tocar bateria depois de assistir a um ensaio, pois se amarrou no som da banda. O fato de ele ser guitarrista e canhoto trouxe um “groove” diferenciado das levadas que se espera em um determinado gênero musical. Desse modo, ele faz parte do conceito da banda, e é considerado também como um fundador. Ele acompanha a banda até hoje, sempre que pode dá uma canja e a contribuição dele está justamente nos alicerces das Mercenárias.
P Vocês lançaram um disco em vinil com a primeira tape da banda. Como foi a recepção do público em relação a este material? Vocês têm previsão para lançamento de material inédito?
R Nós sempre fomos bem recebidas tanto aqui como internacionalmente. O vinil está com excelente qualidade assim como sua embalagem. Em um ano foi tudo embora. Quanto ao lançamento de um novo material, estamos em
negociação.
P O que vocês estão preparando para esse retorno aos palcos de Belém?
R- Já fomos a Belém uma vez, nos anos 1980 e fizemos dois shows, um em que abrimos para o Capital Inicial e outro só com a banda e fomos super bem recebidas. Agora, vamos ver. Nós estamos preparando uma seleção de repertório dos LPs. Estamos apreensivas e animadas pelo convite!
(Diário do Pará)
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