O Porto do Sal, mercado localizado em área portuária, numa das regiões mais antigas de Belém, têm entre seus personagens, além do rio, mestres artesãos, feirantes e crianças que o mantêm pulsante. Hoje, novos atores entram em cena e desdobram as potências do lugar. A partir das 16h, o Coletivo Aparelho promove uma grande ocupação artística com música, performance, vídeo, fotografia, literatura e instalação no Mercado do Porto do Sal e arredores.
A programação, gratuita e aberta ao público, encerra a residência artística do projeto “Margens: Encontros e Devires Sobre o Rio”, contemplado pela Funarte. Ao longo de cinco semanas, Marie Carangi, de Recife (PE), Gabriel Bicho, de Porto Velho (RO), Ulysses Bôscolo, de São Paulo (SP), e Raphíssima, de Belém, percorreram os espaços e as histórias do Porto e região. Hoje, eles irão apresentar ao público as inspirações resultantes desta vivência, que culminaram em obras inéditas, realizadas nos mais diferentes suportes.
Artistas do Coletivo Aparelho também irão expor na ocupação. Elaine Arruda apresenta o trabalho em forma de mastro, feito em pareceria com os artesões do Porto Vasconcelos. A escultura de cerca de 10 metros de altura ficará sobre o mercado, no telhado, e ganhará adereços típicos das embarcações de pescadores, como luzes, cordas, escadas, iluminando o mercado do Porto do Sal e arredores.
Integrante do grupo Projeto Vertigem, Marina Trindade apresenta, no Porto Vasconcelos, “Enredar-se”, experimento cênico que faz parte do resultado do Prêmio de Experimentação, Pesquisa e Difusão Artística 2016 do Programa Seiva.
A ocupação conta também com o Coletivo Pitiú, formado em 2014 pelas artistas visuais Débora Oliveira, Verônica Limma e Vivian Santa Brígida. Elas irão apresentar, também no Porto Vasconcelos, a instalação “Pano Preto”, que aborda as formas de violência contra a mulher e o seu silenciamento diante opressões que as atingem.
“O grupo foi criado com a intenção de explorar o universo feminino e a ânsia da vivência poética diante do nosso papel enquanto artista e mulher na sociedade contemporânea”, diz Débora, que na ocasião vai lançar fanzines inspirados em relatos autobiográficos. “Pack de Zines_ The True History” traz quatro séries, cada uma delas contendo sete títulos.
O Mercado do Choro é formado por Carla Cabral, Diego Santos, Tiago Amaral e Bruno Miranda e ainda tem participações de Alexandre Pinheiro, Dulci Cunha e Rafaela Bittencourt (Foto: Marcelo Lelis)
Mercado do Choro lança disco na ocupação
Durante a ocupação, o projeto “O Mercado do Choro” lançará seu primeiro disco. Formada por Carla Cabral, Diego Santos, Tiago Amaral e Bruno Miranda com participação de Alexandre Pinheiro, Dulci Cunha e Rafaela Bittencourt, a roda de choro percorreu espaços públicos de Belém, do Mercado de São Brás à Feira do Açaí, a fim de viver, imergir, experimentar, compor e compartilhar arte nas ruas. Foram compostas seis músicas que remetem à paisagem sonora desses ambientes, onde tudo é inspiração para dar continuidade à escola de choro brasileira, muito significativa no estado.
A programação traz ainda os DJs Azul e Seu João, mestre artesão do Porto de Vasconcelos, e encerra ao som do carimbó de raiz do grupo Safos da Capital, formado por Douglas Dias, Mestre Cláudio, Luiz Sobral e Johnny Lobato, que irão tocar curimbó, banjo, maracas e sopro para fechar a noite de celebração.
Experiências divididas entre artistas, moradores e trabalhadores
O projeto “Margens” buscou somar novos artistas à experiência iniciada em fevereiro de 2015 pelo Coletivo Aparelho, formado por Josianne Dias, Vivian Santa Brígida, Verônica Limma, Débora Oliveira, Elisa Arruda, Elaine Arruda, Raimundo Carvalho, Luiz Júnior, Pâmela Carneiro e Manoel Pacheco.
O grupo desenvolve um projeto de arte e cidadania no Mercado do Porto do Sal e seus arredores, promovendo atividades educativas com a comunidade e ocupações artísticas, que versam com múltiplas linguagens, estabelecendo dinâmicas com os trabalhadores, artesãos e moradores da região.
“As ocupações funcionam como momentos de culminância, em que diversos agentes culturais se articulam para propor uma programação que envolve tanto comerciantes, moradores e frequentadores do porto quanto o público em geral, convidado a conhecer uma localidade que se encontra na cidade de Belém e que congrega diversos aspectos da cultura amazônica urbana e ribeirinha. A ocupação traz o sentido de ativação de potencialidades que culminem no encontro e na partilha de saberes”, diz Ruli Moretti, curadora que acompanhou os artistas residentes.
PASSE POR LÁ
Ocupação – Projeto Margens, do Coletivo Aparelho
Quando: Hoje, das 16h às 22h
Onde: Mercado do Porto do Sal e arredores
Quanto: Gratuito
PROGRAMAÇÃO:
l 16h - Exposições dos artistas residentes e Coletivo Pitiú
l 16h30 - Discotecagem Seu João
l 17h30- Marina Trindade
l 18h30 - Elaine Arruda
l 19h - O Mercado do Choro
l 20h - Discotecagem Azul
l 20h30 - Safos da Capital
(Diário do Pará)
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