Tudo começou com um sebo, que Cristina Pessoa, após muitos anos morando em São Paulo, decidiu montar na volta para Belém. Inspirada pela canção mais famosa de mestre Pinduca, chamou-o Sinhá Pureza. A ideia atraiu a parceria de uma velha amiga, Silvia Mendonça, que levou para o espaço o trabalho de sua vida: grifar nas cuias a cultura marajoara. E se livros e cuias conviviam bem, por que não transformar o espaço em uma loja-morada multicultural? Nascido no Reduto e hoje abrigado na Cidade Velha, num casarão datado de 1895, o Sinhá Pureza reúne também bistrô, bazar, artesanato, acessórios e oficinas de diversas linguagens.
No entanto, ainda tão jovem, já que foi iniciado em 2015, o espaço começa a sentir o peso de manter-se independente. Para permanecer de portas abertas às suas atividades de grafismo indígena em cuias, jardinagem, fotografia, teatro, performances e tantas outras, o Sinhá Pureza acaba de lançar uma campanha online de financiamento coletivo. A meta estabelecida foi de R$ 15 mil, com prazo até o dia 19 de janeiro. “(o Sinhá Pureza) É um sonho realizado. A gente ama arte, literatura, dança. Ama música”, diz Silvia, emocionada.
Para quem contribui, há várias opções de recompensas, desde uma aula experimental de capoeira até kits de livros à escolha do doador.
ACOLHEDOR
Conhecido por seu público eclético, que vai de poetas, músicos e jornalistas até turistas e famílias inteiras, o Sinhá Pureza é um ambiente que traz acolhimento ao público. “É um espaço importante para nós (realizadoras) porque a gente gosta de gente. E principalmente porque está na Cidade Velha, bairro que a gente ama. Corre o risco de, se o casarão for posto à venda, quem comprar faça uma vila de quitinetes. Não será tão fácil porque é um imóvel tombado pelo patrimônio histórico, mas é possível. Quase me deu um infarto quando eu soube”, diz Silvia.
Por isso, o espaço é defendido a unhas e dentes por suas “sinhás”. Para elas, ele é necessário para a capital paraense. “É um lugar onde se respira arte, onde você encontra velhos amigos. Hoje, a Cidade Velha está com uma concentração de ambientes culturais e artísticos em muitas vertentes e mantê-la assim é importante para toda Belém. É bom para a divulgação de artistas de vários segmentos. A cidade está com déficit de locais que tenham essa abrangência, com essa filosofia de encontro de várias linguagens”, aponta Silvia.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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