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Artista fala sobre projeto de intervenção urbana

Em período de campanhas eleitorais, até o penúltimo pleito, permitia-se a candidatos que peças de áudio pudessem ser veiculadas em carros som ou mesmo nas “bike-som”, famosas em Belém. Incomodada com a poluição sonora, a artista visual Luciana Magno lanço

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Em período de campanhas eleitorais, até o penúltimo pleito, permitia-se a candidatos que peças de áudio pudessem ser veiculadas em carros som ou mesmo nas “bike-som”, famosas em Belém. Incomodada com a poluição sonora, a artista visual Luciana Magno lançou a campanha “BlaBlaBla”, ao mesmo tempo criticando e propondo uma discussão sobre o assunto, com a simples onomatopeia. Sobre o projeto, lançado em 2011 e que já teve diversos desdobramentos, a artista conversa com o público amanhã, 15, às 19h, no casarão da Associação Fotoativa, em Belém. A entrada é gratuita.

“Fiz umas bandeiras escrito BlaBlaBla e gravei o som também e saímos em carreata no domingo de eleição. Agora já tem uma lei que não permite carro-som, mas na época era permitido e ficava uma perturbação. Além disso, é uma crítica também ao discurso vazio dos políticos. Depois, acabou se transformando num partido metafórico, o BLA, Brasil Libertário Anárquico. É um partido inexistente, claro. Eu digo que é tão transparente que não existe. É uma brincadeira, pois para mim são todos iguais. O problema é o sistema e o partido é parte do sistema”, diz a artista. Além da política, Luciana também faz outras críticas, como o discurso acadêmico hermético.

Durante o período eleitoral deste ano, a artista estava no Rio de Janeiro participando de uma residência artística e decidiu retomar o projeto, mas desta vez com um grande balão prateado. Ela foi aos comícios de alguns candidatos e também em reuniões de grupos de pessoas que defendem a volta do absolutismo monárquico na capital fluminense – e incomodou profundamente o público.

“Ele (o projeto) nasceu com a inquietude do discurso acadêmico, se deparou com a política e vai por todas essas pequenas esferas que a gente toca. Fiz esse inflável prateado, bem grandão, era impossível as pessoas não olharem. Fui para showmício e em menos de um minuto queimaram, furaram o balão, foi a maior onda. As pessoas não estavam xingando, mas elas entendem o recado e querem acabar com aquele discurso, porque incomoda o que elas defendem, mesmo que de forma minimalista”, comenta Luciana.

Luciana Magno destaca que por meio do BlaBlaBla acabou se aproximando de diversos movimentos sociais na capital carioca. “Conheci pessoas incríveis a quem não chegaria sem o projeto. Comecei a fazer parte da Assembleia do Largo do Machado no Rio, conheci a luta pela liberdade do catador de latinha Rafael Braga, que foi preso durante as manifestações de 2013 porque estava com uma garrafa de água sanitária e até hoje está preso”, comenta.

Durante o Café Fotográfico, ela também vai distribuir cartilhas elaboradas pelo Grupo Aparalhagem, que promove peças contra o pensamento de extrema direita, e apresentar vídeos que corroboram o seu pensamento e do próprio projeto.

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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