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Objetos da memória pelo olhar de Alberto Bitar

Documentos, poeira e registros guardados. Os arquivos de documentações civis são verdadeiros depósitos de histórias que sequer parecem ser lembradas. O tom memorial desses ambientes e dos objetos que o compõem chamou a atenção do fotógrafo Alberto Bitar,

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Documentos, poeira e registros guardados. Os arquivos de documentações civis são verdadeiros depósitos de histórias que sequer parecem ser lembradas. O tom memorial desses ambientes e dos objetos que o compõem chamou a atenção do fotógrafo Alberto Bitar, editor de fotografia do DIÁRIO. Chamado para fazer uma pauta jornalística sobre o abandono de um arquivo, foi no meio das caixas de aço, prateleiras, pastas e cofres enferrujados e deteriorados que veio à tona a ideia de realizar mais uma série fotográfica sobre recordações, “Imêmores (docs)”. O resultado pode ser visto a partir de hoje em Belém, na exposição que abre no Museu Casa das Onze Janelas. A entrada é gratuita.

Histórias impressas no abandono

significado dessas imagens é sobre o que foi esquecido, não está mais na lembrança nem na memória. Tenho feito outros trabalhos sobre esse tema, as distâncias, o que fica para trás, sobre o vazio e medo de esquecer. E foi a partir desse pensamento, do receio de esquecer, que comecei a pensar no que de fato já foi esquecido. E vi aqueles papéis, que me fizeram ter novamente essa percepção”, explica o fotógrafo sobre o projeto, contemplado com o Prêmio de Produção e Difusão Artística da Fundação Cultural do Pará (FCP).

Bitar foi em busca de outras as imagens, de forma sensível e poética, registradas em ambientes fechados ou na rua, como livros esquecidos ou jogados fora, desgastados pelo tempo e pela umidade. Para o fotógrafo, captar tudo isso funciona como um contra-discurso do que está impregnado nos elementos e objetos fotografados. “É uma forma de tentar meio que recuperar isso ou dar importância (de novo) para algumas coisas que já tiveram importância em algum momento”, comenta.

A série “Imêmores (docs)” também leva Alberto Bitar de volta ao período de formação universitária, quando estudante do curso de Administração. Por mais que a profissão não tenha se consolidado e a fotografia tenha se tornado pungente em sua vida, voltar a ambientes com memorandos, por exemplo, cópias de outros documentos organizados sistematicamente, o fez relembrar de conceitos e aplicações administrativas. E com isso, mais uma vez, sentir o peso do tempo e das escolhas.

“São documentos de várias instituições públicas e privadas, da história das pessoas impressas nesses documentos. Remeteu-me à minha formação. Não pensei nisso inicialmente, mas tem relação. Estudei modelos de administração e o que mais gostei, mesmo que todo mundo use hoje o termo de forma pejorativa, foi o modelo burocrático, que gera documentos para se ter controle e ter melhor entendimento dos fluxos e com isso poder administrar melhor as coisas”, diz.

Imêmores voos

A exposição que o fotógrafo apresenta a partir de hoje se integra a uma grande série intitulada “Imêmores Voos”, que compreende séries menores e mais específicas que versam sobre tempo e reminiscências dos afetos em imagens de ambientes abandonados e sem aparente trânsito de pessoas. Algumas dessas imagens compuseram o livro fotográfico “Imêmores Voos”, lançado em junho deste ano pelo fotógrafo.

De acordo com Alberto Bitar, a ideia começou com a lembrança de seu pai, piloto de avião, o comandante Brahim Bitar, quando o fotógrafo se propôs a visitar aeronaves abandonadas na pista do aeroporto Brigadeiro Protásio de Oliveira, na capital paraense, e outras duas pistas no município de Santarém. A mostra foi exibida em 2015.

“A série acaba sendo uma história sobre o receio de perder a memória afetiva. Meu pai era aviador e por conta disso tenho relação muito forte e afetiva com aviação. Pensei em ser piloto em certo momento da vida também, mas acabei indo para outros lados que me interessavam. Sinto uma saudade muito grande desses voos em que ele me levava, de voar nesses aviões menores, nos quais se tem a sensação de voar, mais do que quando se está em aviões grandes”, comenta.

Veja

Exposição “Imêmores (docs)”, de Alberto Bitar
Abertura: Hoje, às 19h.
Visitação: de 16 de dezembro a 29 de janeiro de 2017
Onde: Casa das Onze Janelas - Sala Laboratório das Artes (Praça Frei Caetano Brandão, s/n, Cidade Velha)
Quanto: Entrada gratuita

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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