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Salomão Habib prepara cds educativos

Tem farinha, tem tucunaré, cheiro verde, pupunha, uxi/ tem filhote, pescada amarela, maniva moída que eu vejo moir/ tem arruda, tem banho cheiroso e tem tapioca para por no açaí/ leva três, paga dois, quem quer comprar/ tem banana nanica, venha ver/ olha

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Tem farinha, tem tucunaré, cheiro verde, pupunha, uxi/ tem filhote, pescada amarela, maniva moída que eu vejo moir/ tem arruda, tem banho cheiroso e tem tapioca para por no açaí/ leva três, paga dois, quem quer comprar/ tem banana nanica, venha ver/ olha o passo, olha o passo, tem peixe fresquinho para escolher”. Esses são versos da música Ver-o-Peso, uma das mais de 160 canções que Salomão Habib já compôs pensando no público infantil, um caminho que ele começou a trilhar desde o nascimento da filha Mey, há quase 30 anos. Com letra que descreve o maior cartão postal de Belém, a canção faz parte agora do projeto “Cantar-o-lar”, que reúne um DVD e dois CDs, finalizados em novembro e que devem ser lançados em 2017.

O projeto começou a ser realizado em agosto e já reuniu mais de 1,2 mil alunos de escolas da rede pública de ensino. Por meio da educação musical, Habib estimula as crianças a pensar sobre temáticas como afetividade, meio ambiente, lendas amazônicas e história do Pará. Poder falar sobre a nossa própria cultura, das samaúmas às araras-azuis, do Rio Guamá e da Matinta Perera, foi um dos motivos que incentivaram o músico a formalizar o projeto para crianças, com uma proposta inclusiva para as crianças com algum tipo de deficiência.

O trabalho acabou ganhando o apoio da Unicef, a agência das Nações Unidas para a proteção dos direitos da infância.“Trabalho há mais de 30 anos com criança e educação musical e a música é uma excelente ferramenta para se trabalhar a autoestima, a psicomotricidade, a socialização. Há muito tempo venho compondo músicas infantis. Comecei fazendo para a minha filha. E acho que dentro da música infantil brasileira, recebemos muitas canções do Sudeste e temos poucas que falam do imaginário amazônico, que falem sobre a mucura, nossos rios, nossas lendas”, explica Salomão Habib sobre o início do trabalho.

Com o ensino musical, Habib diz ter conseguido, por exemplo, excelentes resultados como atividade terapêutica para crianças autistas. Crianças que não articulavam palavras aprenderam a cantar as músicas, e ele recebeu agradecimentos e depoimentos emocionados de mãe e professores.

Made in exportação

Além da capital paraense, o projeto também já foi apresentado na Guiana Francesa, a convite o governo local, e deverá ser traduzido para o francês para compor material pedagógico de universidades daquele país.

“A música consegue trazer para a criança memorização sensitiva, para guardar textos, imagens e mensagens de maneira mais eficaz do que simplesmente decorar. Além disso, a melodia sensibiliza, faz com que a criança fique mais atenta e apta para receber conhecimentos durante um processo educativo. Cantar em grupo permite a socialização e o exercício da sensibilidade, o que se multiplica para a vida toda”, defende Salomão Habib.Para ele, é uma função gratificante. “É muito bom ver a criança gostando de cantar a música. Tenho uma que fala sobre descarte de lixo, ‘Rap da Sujeira’. Apresentei em uma escola no bairro da Condor, e os alunos fizeram um pacto pela limpeza do colégio”, conta o compositor, que já lançou um CD para crianças em 2001, quando era professor em um colégio particular e contou com a participação de seus alunos na gravação.

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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