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Skank lança edição comemorativa de O Samba Poconé

O pop brasileiro dos anos 1990 tem suas marcas indeléveis. E uma delas, sem dúvida, é o hit “Garota Nacional”, letra de Chico Amaral, gravada pela banda mineira Skank. A faixa que compõe o disco “O Samba Poconé”, lançado em 1996, trouxe uma sonoridade dan

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O pop brasileiro dos anos 1990 tem suas marcas indeléveis. E uma delas, sem dúvida, é o hit “Garota Nacional”, letra de Chico Amaral, gravada pela banda mineira Skank. A faixa que compõe o disco “O Samba Poconé”, lançado em 1996, trouxe uma sonoridade dançante e um videoclipe que marcou uma geração na MTV. O álbum reúne vários outros sucessos das rádios: “É uma Partida de Futebol”, “Eu Disse a Ela” e “Tão Seu”. Com mais de 2 milhões de cópias vendidas, foi o trabalho que alçou a banda ao sucesso internacional. Chegou ao primeiro lugar do top 10 radiofônico na Espanha, por exemplo.

Por isso, “O Samba Poconé” é considerado um divisor de águas na carreira do grupo. E como toda grande marca que se conquista também se rememora, a banda acaba de lançar uma edição especial para comemorar os 20 anos do disco – o terceiro da carreira, após “Skank” (1992) e “Calango” (1994) – com três discos especiais: uma regravação do original, outro só com as gravações do estúdio da casa do baterista Haroldo Ferretti, mais um com remixes feitos após a gravação. O Caderno Você conversou com Ferretti e ele revelou um pouco desse percurso ao lado de Samuel Rosa (guitarra e voz), Henrique Portugal (teclados) e Lelo Zaneti (baixo). Confira:

“O Samba Poconé” fez 20 anos. Qual a sensação de ouvi-lo hoje e qual a avaliação após duas décadas de lançamento?
Vinte anos é uma vida, né? E esse álbum foi um divisor de águas na nossa carreira. Começou em 1992, com disco vendendo disco de ouro, 100 mil cópias, e depois em 1994 veio o “Calango”, 1,2 milhão, com várias músicas sendo executadas em rádio, então, imagina o tanto de pressão que tinha, não só da gravadora, mas da gente, do público, e a pressão do tipo, “e agora, depois de vender isso, para onde a banda vai, o que virá no próximo disco?”. E aí veio “O Samba Poconé”, que superou a marca do “Calango” e abriu portas para o Skank no mundo inteiro. Só em 1997, seis meses depois, “Garota Nacional” virou primeiro lugar em vários países do mundo, a gente excursionou por mais de dez países na Europa e América Latina. Foi um álbum muito representativo da minha carreira. E escutá-lo hoje é sempre muito bacana.

O nome do disco chegou a soar estranho na época?
O Skank tem por tradição achar nomes diferentes para álbum. “Skank”, depois “Cosmotron”, “Maquinarama”. O nome veio da cidade, a gente andando pelo Centro-Oeste e aquilo ficou na nossa cabeça. Pouco depois, o Chico (Amaral, saxofonista e letrista que compôs vários sucessos do Skank) chegou com uma letra chamada “Poconé”, e a gente fez a música e depois de criado esse nome, não tem muita explicação, mas acaba fazendo sentido, e chamou atenção.

Como foi a ideia da edição comemorativa?
Esse relançamento é um álbum triplo. O primeiro é como foi lançado, o segundo é material de demo, e o terceiro, de remixes. Escutando principalmente o segundo, vejo o tanto que a gente já era CDF, e quando chegamos na gravadora para mostrar a demo, o diretor disse: “está pronto, vamos imprimir”. E nós, “não, ainda vamos mexer”. Mas escutando hoje vejo o quanto já estava bom para imprimir mesmo. Traz muitas boas recordações. Fui fuçar o que tinha guardado por esse tempo e foi uma surpresa, algumas músicas ficaram de fora, não dava para colocar tudo. O legal é que no álbum demo tem gravações feitas muito rusticamente, só com um microfone, até outras mais elaboradas. Então, dá para o fã escutar a evolução do trabalho da banda em estúdio. E o terceiro álbum é feito com remixes. Dudu Marote guardou esses anos e achamos que tinha tudo a ver. “Álbum 3” é como algumas coisas foram feitas depois do lançamento.

De que maneira funcionava/funciona o processo criativo de vocês e o diálogo com produtores e gravadora?
Nosso esquema de composição de álbum é sempre assim, a gente diminui os shows e vai para o estúdio e dali começa do zero. Nós quatro trabalhando, criando, tendo ideias, registrando. Algumas coisas ficam prontas mais rápidas, outras demoram um pouco. No momento seguinte, mostramos para a gravadora e o produtor, que escolhe o que é para se trabalhar, e depois tem mais na finalização, arranjos. Quem faz a produção é sempre um amigo que já está com a gente há anos, Dudu Marote, um grande parceiro. Apesar de a gente chegar com as músicas adiantadas, é sempre bom contar com a parceria dele. Estamos na Sony Music há muitos anos, existe relação de confiança para que o disco fique bacana e ganhe uma vida.

As primeiras gravações e ensaios começaram na casa dos seus pais. Como era esse período e de que maneira vocês pensavam o disco, conceitual e sonoramente?
O estúdio onde começamos a banda era no fundo da casa dos meus pais. Era um estúdio de ensaio e depois a gente foi equipando aos poucos, com alguns equipamentos de gravação. Algumas demos, quando a gente ia fazer um disco, toda a parte de composição e de discussão de arranjos e de experimentação, a gente fazia nesse estúdio. Eu era metido a técnico de som, apertava o play e o rec, e saía tocando a bateria. Com isso, acabou que eu guardei cada gravação dessa. Na época eram fitas DAT, de qualidade digital. Por isso tenho tanta coisa da carreira do Skank.

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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