Um dramalhão com morte, romance entre vilão e mocinha, uma vingança. O mais novo espetáculo dos Palhaços Trovadores, “A Vingança de Ringo” é um clássico do circo-teatro brasileiro que foi encenado na época de ouro do gênero, durante as décadas de 1950 e 1960. A opção pelo roteiro, que se passa em um garimpo, serviu para marcar a retomada do grupo a partir de uma nova concepção criativa, tanto do ponto de vista narrativo quanto estético. A peça estreia com encenações amanhã e quinta-feira, 21, às 20h, na Casa dos Palhaços, localizada no bairro do Reduto, em Belém.
Marton Maués, diretor do grupo e do espetáculo, diz que a produção marca um novo caminho de pesquisas teatrais para os Palhaços Trovadores e que se difere das produções anteriores já criadas pela trupe, que completou, em 2016, 18 anos de atividades. Ele diz que é difícil não se ater a elementos já marcantes da carreira, que não é possível abrir mão totalmente de uma poética construída ao longo desse período, mas que a cada experimentação, o desejo do novo ia saltando. É a primeira vez, por exemplo, que o grupo encena um texto que não é de um clássico da dramaturgia - como Molière -, mas sim de um autor desconhecido, diretamente do circo, com a característica do circo-teatro.
“Os dramaturgos eram os próprios circenses, que adaptavam cenas da época como filmes de bangue-bangue, grandes dramalhões do cinema, histórias de músicas que estavam em voga, como Vicente Celestino, e transformavam em texto. Eles já pegavam o que o povo consumia. Então, é uma produção direcionada para o povão, com característica de fala, escrita e maneira de encenar que o povo já reconhecia. No circo, o palhaço não interpretava o palhaço, mas ele fazia parte do elenco e era um excelente ator. Transformavam esse dramalhão em uma grande brincadeira”, explica Marton Maués, destacando que dessa forma os espectadores já reconheciam a linguagem cênica do picadeiro.
CENÁRIO E FIGURINOS ACOMPANHAM MUDANÇA
Outra mudança bastante significativa para os Palhaços Trovadores, além da escolha do texto, é quanto à apresentação dos oito palhaços em cena. Os tradicionais figurinos e adereços coloridos darão lugar a uma coloração sépia e marrom, num ambiente de tom também predominantemente mais escurecido. Até os narizes vermelhos foram refeitos com texturas de fita crepe e tinta bege, criando efeito diferenciado nos personagens.
As músicas rimadas, como as de folguedos e pastorinhas, uma marca do grupo, também não se repetirão em “A Vingança de Ringo” – tudo a fim de testar elementos cênicos com outra concepção artística.
“Isso muda bastante a nossa parte estética, o que lembra um pouco o circo antigo e o local onde a história se passava também, que é um garimpo, uma região de interior abandonada, ermo e cheio de sujeira. Optamos por não trabalhar com elementos que há muito tempo a gente realizava, como tocar as nossas próprias composições. Agora não tem nada disso. Tem um cenário, o que antes não tinha, eram só os atores em cena com elementos variados. Atores entram e saem de cena, não ficam o tempo todo”, comenta Marton Maués sobre alguns detalhes da montagem.
O diretor acredita que o maior desafio dessa nova busca e para apresentar um espetáculo novo tenha sido o pouco tempo para realizar os ensaios - apenas dois meses - e por isso diz que a estreia ainda será “verdinha”. Mas ele garante ainda que para 2017 a expectativa é aprimorar a busca por novas criações a partir da experiência realizada com “A Vingança de Ringo” – que foi contemplado com o edital de Experimentação, Criação e Divulgação Artística da Fundação Cultural do Pará (FCP).
“Foi um processo tranquilo, apesar do pouco tempo. O mais difícil é conseguir fazer com que o palhaço consiga imprimir a sua energia, o seu modo de ser ao personagem. Pegamos um texto novo e é mais difícil quando ele, o palhaço, não é ele mesmo, mas quando tem que ser outro e isso demora a engatar, mas depois domina tranquilo. Fomos nos apaixonando muito rápido, gostaria de ter mais tempo para trabalhar com eles, só que depois da estreia vamos trabalhar mais. Estou gostando muito do resultado. A parte técnica, o figurino me agradam muito, conseguiu uma sinergia”, comenta, informando que Aníbal Pacha assina o figurino e Adriano Furtado, a cenografia.
VELHA ESCOLA
“A Vingança de Ringo”, dos Palhaços Trovadores
Quando: Amanhã e quinta-feira, às 20h
Onde: Casa dos Palhaços (Tv. Piedade, 533, esquina com Tv. Tiradentes – Reduto)
Quanto: R$10
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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