Ele começou a cantar aos 12 anos e subiu pela primeira vez ao palco ainda aos 15, durante um concurso de canto na capital paraense. A vitória veio com a música “Imbranato”, do cantor italiano Tiziano Ferro, que fez sucesso no país há alguns anos ao ser trilha de telenovela. Considerando que essa era sua “música da sorte”, usou-a mais uma vez, mas agora, aos 17, para alçar um voo bem mais alto: chegar ao “The Voice Brasil”. Hoje, Afonso Cappelo segue na disputa como um dos 12 semifinalistas do show de talentos. Fã do soul e do blues, tocador de gaita, violino, violão, cavaquinho e ukulele, ganhando ou não o grande prêmio, está convencido de que segue o caminho certo, pretende compor, produzir e fazer música a vida toda.
O músico conta que quase três meses depois da primeira apresentação, em outubro, todos os participantes se tornaram muito amigos. “Todo mundo criou um laço de amizade, conhece bastante da vida um do outros. Todo mundo se identificou, afinal, todo mundo tem o mesmo sonho relacionado a fazer música”, diz ele. Já a relação com os técnicos, ele revela que os participantes têm mais contato com os produtores destes. Já sobre a boa surpresa dessa quinta edição do programa, a ajuda da baiana Ivete Sangalo durante a primeira batalha, ele comenta: “Foi muito legal, ela é bem extrovertida”.
Bem mais nervoso na audição às cegas do que nas últimas apresentações, ele conta que uma das questões fundamentais - a escolha das músicas - é uma decisão em conjunto a cada nova etapa da disputa. “A sugestão é dada pelos técnicos com os produtores, tem toda uma logística. Dou minha opinião, mas ela é avaliada por várias pessoas”, explica.
Além do intercâmbio com esses profissionais, ele destaca outro aprendizado gerado pelo programa. “Eu acho que o controle da emoção foi algo em que melhorei muito, porque ali em cima (o palco) é difícil ter esse controle”, diz ele.
Cantor quer investir na carreira com músicas autorais
Cappelo conta ainda que recebeu diversos incentivos para seguir na música. “Mas foi muito automático tudo. Foi acontecendo”, completa. Mas não é só como instrumentista e cantor que ele pretende seguir na carreira. “Eu componho bastante. Quando me apresento (fora do The Voice), procuro cantar só as minhas canções”, afirma.
As composições trazem um pouco de várias de suas influências e gosto, são uma mistura de bossa com folk americano, algo de blues e country. “De influências, gosto de Ray Charles, B. B. King... Da nossa MPB, tenho como influências João Gilberto, Caetano”, declara.
“O meu plano é não permanecer como ‘calouro’. É o plano de muitos que estão lá, não ficar rotulado”, comenta Cappelo sobre seu futuro pós “The Voice”. Ainda assim, confirma: “É outra coisa antes e depois do programa, ele abre bastante porta”.
Entre essas oportunidades, houve o convite para gravar com o violonista santareno Sebastião Tapajós. “Ele já está numa certa idade que não está mais gravando, mas me cedeu um pouco do tempo para gravar com ele e foi bem bacana. Eu o admiro muito! Todo mundo que começa a estudar e se aprofundar no violão tem ele como uma referência”.
Para a apresentação de hoje, Cappelo é a imagem da tranquilidade. “O que vier agora é lucro. Só de estar entre os 12, já é incrível. Passei por uma peneira de dois milhões!”, diz ele.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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