O músico paraense Antônio Novaes, ex-A Euterpia, se apresenta hoje à noite, a partir das 22h, na Casa do Fauno, com o repertório do EP “Gito”, novas composições e também músicas de sua antiga banda, ao lado de Daniel Pinheiro (bateria), Rafael Azevedo (baixo) e Nego Jó (trombone). Hoje radicado em São Paulo, após uma passagem por Milão, na Itália, Novaes celebra o encontro musical com o trabalho experimental, que reúne elementos sonoros e poéticos que mesclam afrobeat, música caribenha, jazz, tango e música italiana.
Além disso, ele apresenta o projeto Clarimbó, que está desenvolvendo no momento em São Paulo, junto com os também paraenses Marcelo Gabbay e Helder Catraca, e Fábio Oliveira, uma espécie de volta à casa a partir do carimbó. “Foi curioso isso. Na verdade, foi um encontro de paraenses com vontade de tocar carimbó. Numa das minhas vindas a Belém, comprei um banjo no (espaço cultural) Coisas de Negro, feito com linha de pescador, e comecei a pesquisar esse processo. Vi que é um tipo de música que a gente nem sabe que sabe, está impregnado com a gente. Começamos a tocar e teve muita aceitação em São Paulo”, comenta.
O nascimento da filha Clara também foi sensibilizador: quando ela ainda estava na barriga da mãe, Novaes compôs a música “Clarimbó”. “Ela é a musa do projeto”, diz. “Nem eu sabia que eu queria e sabia tocar, sempre tive até um pouco de resistência em querer tocar nosso ritmo, que precisava viver nas comunidades, mas sempre gostei e já dancei muito em Algodoal, e acabou que foi uma tomada de consciência muito interessante. Tenho necessidade de me alimentar dessa raiz”, diz.
Sem uma banda fixa, Antônio Novaes gosta da experiência de tocar com vários músicos, que acabam trazendo influências ao som que ele faz. “Meu trabalho está sempre em transformação. E ficou bem brasileiro. Quando venho a Belém, toco com várias pessoas que conseguem entrar na gig (apresentação em bares) e quando venho mais de uma vez por ano, a banda está sempre mudando, isso é ótimo. Tem que ajeitar uma coisa aqui, mas compensa o resultado de ter uma nova sonoridade cada vez que a gente toca”, festeja.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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