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Atores contam como é viver Jesus no teatro

A celebração do nascimento de Jesus pode ter uma emoção a mais para aqueles artistas que exercitam no teatro essa proximidade com os pensamentos, ensinamentos e mesmo a sua imagem difundida em pinturas ao longo de séculos: cabelos longos, barba, roupas si

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A celebração do nascimento de Jesus pode ter uma emoção a mais para aqueles artistas que exercitam no teatro essa proximidade com os pensamentos, ensinamentos e mesmo a sua imagem difundida em pinturas ao longo de séculos: cabelos longos, barba, roupas simples.

É um personagem que pode não render fama, mas nenhum ator que o tenha interpretado deixou de ser afetado pela preparação. “É uma transformação continua”, afirma Carlos Oliveira, 41 anos de idade, 28 deles exercendo o papel de Jesus Cristo em espetáculos como a Paixão de Cristo de Queluz, o Auto do Círio e diversos autos de Natal.

Se pelo cinema e TV, vemos atores que realmente marcaram sua imagem ao interpretar este papel, como Robert Powell em “Jesus de Nazaré” (1977) e Jim Caviezel em “A Paixão de Cristo” (2004), Carlos é um exemplo de que viver essa história pelas ruas dos bairros e em igrejas também pode ter este impacto na vida de um ator. “Quando eu tinha uns 16, 17 anos, gostava de cabelão e barba. Eu morava em Fortaleza e começou como uma brincadeira. Me convidaram (para interpretar o papel) e aceitei. Hoje, é difícil você encontrar alguém que me conheça como Carlos. Para todos, eu sou Jesus”, diz ele, já responsável pelo papel em 2017, na Paixão de Cristo de Queluz, encenada pelas ruas do bairro de Canudos.

E você já imaginou um Jesus caminhoneiro? Só por isso, Carlos não deixa a barba tão grande ao longo do ano, apenas quando se aproxima o período de oficinas para a Paixão de Cristo e o Auto do Círio. “Cresce rápido”, ele garante. “Eu digo que durante essas oficinas a gente mais aprende do que ensina, porque reúnem muita gente que nunca teve contato com o teatro e esse exercício é muito bom”, relata o ator.

E que Jesus não sentiria alegria em ensinar? “Agora, estar nas ruas é minha maior emoção, na encenação em Canudos. Passar no meio do povo, com a simplicidade do espetáculo, ver eles participarem e se dirigirem a mim como Jesus, é inexplicável”, diz ele.

Presente para o aniversariante do dia

Sentindo-se como autênticos aniversariantes do dia 25 de dezembro, junto ao personagem que revivem, o que os atores pedem de presente não parece ser muito diferente do que Jesus pediria. “Respeito. Respeito com o próximo. Chega dessa coisa de toma lá, dá cá. E que as pessoas busquem suas conquistas, não ao custo do sacrifício de outras, mas de seu próprio trabalho. E principalmente, que pratiquem a caridade. Se alguém lhe pede ajuda, estenda a mão a ela, não finja que não é com você”, diz Carlos Oliveira.

Já Leandro Silva, que começa já em janeiro a se preparar para a encenação de 2017 pelas ruas da Terra Firme, deseja o mesmo, em palavras mais simples. Ele deseja “paz para todos”. E integrando um grupo que sempre foi tão bem recebido no bairro em que atua, não pede mais do que já tem recebido como ator: “O enorme carinho que demonstram (com o Ribalta) e a atenção que dão a cada novo espetáculo”, diz ele, com a mesma esperança e simplicidade que diria o personagem mais importante que ele já interpretou.

(Laís Azevedo/Diário do Pará)

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