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Artistas falam de suas lembranças natalinas

Pode ser aquele presente que você queria guardar até hoje, as pessoas que um dia estiveram e faziam toda diferença, também pode ser a inocência com que você via essa data. O natal é especial para cada pessoa, porque cada uma sabe o que faz toda a diferenç

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Pode ser aquele presente que você queria guardar até hoje, as pessoas que um dia estiveram e faziam toda diferença, também pode ser a inocência com que você via essa data. O natal é especial para cada pessoa, porque cada uma sabe o que faz toda a diferença e o DIÁRIO ouviu algumas dessas histórias vindas de gente que já abriu as portas para contar sobre seu disco novo, o livro prestes a ser lançado, uma performance imperdível, mas que da noite de natal também tem muita coisa boa para compartilhar.

O performer paraense Rafael Bqueer, radicado no Rio de Janeiro, chega dizendo que os seus natais em família sempre foram tranquilos, mas tem algumas frustrações a dividir com quem já foi uma criança nascida em plena Amazônia. “Uma memória que tenho e acho engraçada é a de como as imagens natalinas mexem com o nosso imaginário. Eu ficava aguardando ansioso para ver se iria nevar em Belém porque sempre associei o Papai Noel com a questão da neve, e isso é absolutamente surreal, pensando agora com a cabeça de um adulto… Saudade dessa inocência”.

E assim como ele, Arthur Nogueira, músico paraense radicado em São Paulo, sabe bem o que é viver longe da família. E comenta a diferença que isso faz. “O natal não tem sido a mesma coisa desde que saí de Belém. É uma data que ganha significado com a família e desde que saí não passo com eles, então é como se fosse uma noite como qualquer outra. Rememorei meus últimos natais e percebi que foram bem desinteressantes”, diz ele, ainda bem humorado.

Já a cantora Liège lembra a diferença que fazia a presença de uma única pessoa, o avô Joanilson Agrassar, neste período do ano. “Os melhores natais da minha vida foram quando meu avô paterno estava vivo e eu era criança, em Mosqueiro. Mesa grande, farta, família reunida, tia vestida de Papai Noel e primos brincando de caçar grilo na calçada de casa. Depois tinha o tão esperado amigo invisível e muita gargalhada. Tempo bom que não volta, mas está marcado pra sempre no coração”.


Infância guarda as melhores recordações

E não tem jeito, a infância é sempre a que traz as melhores memórias. A cantora Julianna Sinimbú lembra logo o período em que os pais mostravam suas habilidades em “efeitos especiais”. “Minha lembrança clássica de natal era durante a infância, que, todo ano, meus pais de madrugada arrumavam pegadas de areia em volta da árvore de Natal. Era um esquema muito realista… A gente amava e ao mesmo tempo não se perdoava de não ter esperado um pouco mais acordados”. Agora, que estão todos crescidos, a família pensa em fazer para as crianças que estão chegando.

“Na minha casa, nós também tínhamos o costume de acordar no dia de natal com o presente nas nossas camas. Minha mãe deixava os presentes enquanto dormíamos, eu e meu irmão super acreditávamos e ficávamos na curiosidade de saber como o Papai Noel sempre adivinhava os desejos”, relata Rafael Bqueer. Mesmo sem esta resposta, o cantor e compositor Pio Lobato lembra que a melhor coisa do Natal era a manhã do dia 25, “quando a gente sai na rua e vê um monte de crianças com seus brinquedos novos, não sei o que pode ser melhor”. Entre tantos presentes elege o seu inesquecível: “um kit de avião de montar Revell”.

O artista plástico Geraldo Teixeira logo resume como eram essas manhãs de natal: “Sou de uma família com nove irmãos… Imagine as farras!”. E com tantos presentes à vista, é claro que algumas brigas faziam parte. “Nunca estávamos contentes com os nossos brinquedos, e trocávamos até quebrar, aí começava a briga até reaver o original”, conta. Já o escritor Salomão Larêdo conta que foi na simplicidade da casa da avó, na Vila do Carmo, interior do Pará, que descobriu todo o afeto que pode caber em um presente de natal. “Numa manhã do dia 25, eu dormia na rede e quando ia levantar, em baixo dela tinha uma garrafa de refrigerante feita em uma fábrica aqui do Pará, um santinho e, amarrado neles, uma fita azul. Achei aquilo fantástico, diferente, foi uma farra”.

Na adolescência, ele conta, a melhor recordação é a dos discos trazidos pelo tio que morava em Recife. “Lá, o LP do Roberto Carlos chegava primeiro, a gente ficava ansioso. Lembro que ele também fazia uma dedicatória e a gente via que era afeto, a preocupação de ser carinhoso”. De uma casa simples, onde morou na Cremação, conta Salomão, vem a memória de ceia: um pão repartido em fatias iguais de acordo com o número de pessoas na casa – sempre cheia de parentes vindos do interior. “Um dia minha mãe comprou dois, para dar uma fatia maior pra cada, e a gente ria e achava bonito. Entendia que era uma carência, uma desigualdade, mas curtia a poesia desses acontecimentos. Quando falavam em confraternização, eu pensava que era isso”.

(Laís Azevedo/Diário do Pará)

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