Um poste de luz, uma cabine telefônica, uma lixeira. Objetos dispostos em ambientes públicos tornam-se elementos fáceis para pinceladas e sprays. Para a artista visual Drika Chagas, é a dimensão de espaço a ser grafitado que a inspira a realizar suas intervenções urbanas. Há quase três meses na França, a artista paraense tem deixado agora sua marca nos muros de Paris. Ela foi selecionada em um edital de residência artística no Cité Internationale des Arts, através do Instituit Français e Aliança Francesa de Belém, com apoio da Embaixada Francesa, e por lá vem fazendo algumas intervenções e acompanhando de perto o processo de criação de outros artistas.
Drika também já recebeu alguns convites, dentre eles a participação no projeto LAB14, localizado em Montparnasse – bairro boêmio e artístico – e já participou de uma exposição coletiva na galeria Le Lav Matik, onde no último dia 17 de dezembro realizou uma intervenção na rua. “A experiência está sendo extremamente enriquecedora, me foi disponibilizado um estúdio para produzir meus trabalhos, passe livre em diversos museus e centros culturais. O Cité e o Instituit Français disponibilizam uma série de encontros, exposições, shows, seminários e opens studios de artistas de diferentes países, facilitando o intercâmbio, trocas de técnicas e linguagens artísticas”, comenta Drika Chagas sobre a experiência.
Ela lembra que na França o movimento de street art e graffiti é muito forte, iniciado no final dos anos 1970, e atualmente é visível a variedade de estilos e conceitos tanto no centro de Paris, como em arrondissements (os bairros) mais afastados, como ao norte da capital francesa, em Vitry e Belleville.
Para Drika, poder viver esse momento em uma cidade onde há um boom do movimento de arte urbana, com inúmeras galerias, exposições e eventos voltados a esse tipo de projeto, tem sido importante. “Vemos um respeito e admiração de várias gerações com relação aos artistas urbanos”, observa.
“Acredito que qualquer experiência fora da sua cidade, não importa o destino, se há uma sensibilidade no seu cotidiano, é capaz de fazer visualizar a arte em todos os aspectos. Em Paris, como há inúmeras programações ligadas à arte, torna-se comum uma visita em museus ou no circuito cultural. Andar em algumas ruas é sempre uma surpresa para os amantes de street art. Você descobre intervenções incríveis de diferentes formatos e técnicas”, completa a artista paraense.
A residência artística deve durar quatro meses e esta é a primeira experiência de Drika Chagas na Europa. Antes, ela participou de três projetos em parceria com o departamento cultural da Guiana Francesa. A artista retorna a Belém na segunda quinzena de janeiro e acredita que a experiência irá acrescentar positivamente no trabalho que já vem realizando.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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