O ano de 2016 abriu novas portas em Belém para os artistas que procuram mostrar suas produções e para um público ávido por novidades. Na Cidade Velha, a Casa Velha 226 trouxe um novo espaço para a música e o movimento cultural. No Reduto, a Casa do Fauno vem ajudando a reanimar o bairro com um espaço multicultural. E os bons ares para a arte foram além do centro: chegaram até o Marco, onde o Ateliê Espaço Reduzido se apresenta como um novo lugar para as artes visuais.
Também teve gente dando vida a espaços já conhecidos, com programações totalmente novas. Assim surgiu a festa Lambateria, criada pelo guitarrista Félix Robatto para as quintas-feiras do Fiteiro, e o projeto Singer Songwriter, criado pelo músico Andro Baudelaire dentro do Old School.
Inaugurada em abril, a Casa Velha 226 é também a morada do produtor cultural Marco Tuma, que vem apresentando ações diferenciadas e criativas. “Ela era a casa dos meus pais, que viveram aqui 50 anos, e eu, filho único, a herdei. Pensando como poderia ajudar meu bairro, decidi abrir suas portas e movimentar um pouco, colocar algum tempero nessa Belém de 400 anos”, conta Tuma.
Desde a abertura, por ali passaram shows como de Lucas Guimarães e da banda Cravo Carbono. Também houve exposições de artistas como Roberta Mártires e Théo Lima, e da fotógrafa Shamara Fragoso. “Tem principalmente muito bate-papo, sobre diversos assuntos. É um espaço para colocar as ideias para rodar e as pessoas gostam muito por ser uma casa”, destaca Tuma.
Para 2017, o plano é mantê-la aberta, aperfeiçoando tudo. “A gente ainda está fechando a programação, pensando como dialogar melhor com a vizinhança. Queremos que eles participem do espaço”, comenta o produtor cultural.
Outro objetivo é registrar tudo o que rola por lá, principalmente as conversas. “Tem que ter esse registro porque são momentos que acabam se perdendo. Queremos botar na internet, deixar a galera ter acesso ao que está sendo cultivado aqui”, completa.
Um ano bom para as artes visuais
Não muito longe dali, na Travessa Aristides Lobo, nasceu a Casa do Fauno. Inaugurado em setembro, o espaço reúne brechó, bistrô, livraria-sebo e um café-bar. Logo na inauguração, a proprietária, Cleide Cunha, conversou com o DIÁRIO, e adiantou: “Vamos ser um centro para discutir vários assuntos: gastronomia, moda, estilo, ressignificância de peças”. Para isso, a casa passou por um processo de ressignificação a partir do trabalho do arquiteto Nelson Carvalho, em parceria com Cleide. Sãos os desenhos de Nelson, em sua primeira individual, “Fronteiras Cambiantes”, que ocupam o lugar neste início de 2017.
E as artes visuais ganharam em 2016. Foi quase uma tendência: artistas decidiram abrir seus ateliês para colecionadores, arquitetos, designers de interiores, estudantes e amantes das artes visuais. Octavio Cardoso, editor de fotografia do DIÁRIO, abriu o Studio, onde era sua residência na Campina.
O artista plástico José Fernandes, abriu na Cidade Velha o Ateliê do Zoca, nome emprestado de seu apelido, e Emanuel Franco abriu o ateliê Espaço Reduzido, no Marco. “Não quero que o ateliê seja só um cabide de obras. Quero estimular conversas, oficinas, fazer parceria com artesãos de todo o estado e mostrá-los aqui”, destacou Emanuel.
Inaugurado em setembro, o Espaço Reduzido já ofereceu oficinas de montagem, ciclo de conversas com artistas como Wlad Lima e Andréa Flores, ambas ligadas ao teatro, Alexandre Sequeira e Marisa Mokarzel, das artes visuais, e Fernando Hage falando sobre moda.
“Sempre houve também a intenção dessa dinâmica. Essas programações paralelas de caráter didático da arte”, aponta Emanuel, que para 2017 prepara uma nova etapa de bate-papos entre profissionais e estudantes de diferentes linguagens artísticas.
Festa boa, com microfone aberto à música paraense

Festa na Casa Velha: espaço aberto no bairro da Cidade Velha foi uma das boas novidades de 2016. (Foto: Divulgação)
“É difícil eleger os melhores, sou suspeito para falar, mas o que teve de diferente foi Dona Onete com o grupo de carimbó residente da festa, Os Safos da Capital, Pinduca fazendo carimbó raiz, algo que nunca tinha feito na carreira dele.
E lá nasceu a Orquestra Pau & Cordista de Carimbó, com todos os instrumentos a que o carimbó tem direito. Teve encontro meu com o Lucas Estrela e Felipe Cordeiro, com público recorde – o mesmo tanto de gente que estava dentro ficou do lado de fora querendo entrar”, destaca Félix Robatto sobre a Lambateria, a festa realizada às quintas-feiras no Fiteiro.
E a programação ainda teve exposições fotográficas, desenhos, apresentações de dança, várias campanhas especiais como a de cuidado com os animais, lançamento do videoclipe da Nanna Reis... “Nossa ideia para 2017 é continuar sempre procurando inovar, surpreender, lançar ideias. Sempre pensando no público e de uma forma artística”, comenta Félix.
Mas o grande plano pra 2017 é mesmo o DVD da Lambateria. “Estamos correndo atrás de patrocínio. Essa é a meta, fazer o registro dessa festa que valoriza não só a música, mas o hábito do paraense de dançar”, completa Félix, que também criou em 2016 a festa Play Underground, uma baladinha vespertina aos domingos feita para receber crianças e seus pais.
Nesse caminho de abrir janela para o novo na música paraense, Andro Baudelaire, o vocalista das bandas Vinyl Laranja e The Baudelaires, inaugurou no Old School a noite Singer Songwriter, em que convida gente da cena autoral paraense para fazer apresentações solo. Lucas Padilha, Lívia Mendes, Liège, Marisa Brito (ex-A Euterpia), Beto (Semente de Maçã) e Lari Xavier foram alguns dos nomes convidados a mostrar, em alguns casos, trabalhos inéditos. “Minha intenção é também trazer gente de fora, e realizar a noite inclusive em outros espaços da cidade, além do Old School”, destacou Andro, como mais uma boa promessa do ano que chega.
(Laís Azevedo/Diário do Pará)
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