Tinha gente que ainda nem sabia, mas já entrava o ano com boas novas. “Que bom que fomos aprovados. A gente costuma fazer duas produções por ano e essa será em junho, um espetáculo com foco nos nossos compositores amazônicos”, adianta a bailarina Ana Unger, cuja companhia de dança está entre os mais de cem proponentes aprovados para patrocínio pelo Banco da Amazônia em 2017. A instituição financeira divulgou ontem a lista com todos os classificados. São mais de R$ 1,9 milhão aplicados em três editais: Patrocínios, Lei Rouanet e Pautas do Espaço Cultural Banco da Amazônia.
“Mesmo diante de um cenário econômico desafiador para todas as empresas e instituições, o Banco da Amazônia permanece fomentando os mais variados projetos culturais, sociais, esportivos, ambientais e de feiras e exposições”, destaca Luiz Lourenço Neto, gerente de Imagem e Comunicação da instituição.
Para o edital de Patrocínios, foram inscritos 568 projetos de todos os Estados da Amazônia Legal, sendo que 404 foram habilitados e 104 classificados. Destes, 21 são destinados à área cultural.
Os projetos, incentivados ou não por lei municipal, são voltados a diversas linguagens. Na música, por exemplo, foram seis projetos de gravação aprovados, entre eles, o do CD “Guitarrada para Bebês”, do músico e produtor Félix Robatto. “É uma experiência de pegar guitarradas bem conhecidas, e gravar em formato de caixinha de música, para bebês ouvirem”, explica o guitarrista. A inspiração veio do convívio com a filha, Maria Helena, a “Pitelzinha”, que já ouvia álbuns em casa como “Pink Floyd para Bebês” e “Elvis para Bebês”, sem contar com um álbum que trouxesse música paraense.
“Ele (o patrocínio) vai me ajudar a custear a gravação, estúdio, prensagem, contratação de músicos - vou ter que chamar alguns especializados para esse trabalho –, a arte em geral do trabalho. E é de suma importância ter um patrocínio, para sair uma coisa com qualidade, feito com mais cuidado. Não é um disco de carreira, que eu vá fazer show com ele. É mais para fomentar a cultura, educacional. É uma loucura, não é qualquer um que apoia um projeto como esse, então é bacana o banco achar isso interessante. Comecei o ano muito feliz com isso, ansioso para gravar”, festeja Félix.
Banco investirá R$ 620 mil pela Rouanet
No edital da Lei Rouanet, o Banco da Amazônia selecionou nove grandes projetos culturais pré-aprovados pela lei de incentivo federal, que vão receber, ao todo, R$ 620 mil. Entre eles, o Festival Internacional de Música do Pará, promovido pela Fundação Carlos Gomes; e o projeto Circular Campina Cidade Velha, inscrito pela galeria Kamara Kó, uma das realizadoras do evento.
“É interessante o Banco da Amazônia ter entrado nessas parcerias com temáticas de contribuição grande para novas gerações e a valorização dos nossos artistas”, comenta Ana Unger, referindo-se também ao projeto de sua companhia de dança.
“O patrocínio é imprescindível para o espetáculo. Ele viabiliza essa qualidade, com produção bem cuidada, um design de luz, elementos cênicos e cenário virtual – uma identidade dos espetáculos do centro de dança. Fazemos isso há 10 anos, com a parceria de grandes profissionais como a artista visual Roberta Carvalho. Ano passado, também aprovados, chamamos o Sebastião Tapajós, que criou a música e virou ídolo das crianças. Agora, elas conhecerão o Márcio Montoril, que nos convidou a dançar uma composição dele”, destaca a coreógrafa.
No edital de Pautas do Espaço Cultural Banco da Amazônia, foram selecionados três projetos para exposição na sede da instituição em Belém, que receberão R$ 75 mil. Eles ainda concorrem automaticamente ao “Prêmio Banco da Amazônia de Artes Visuais 2017”. O editor de fotografia do DIÁRIO, Alberto Bitar, está entre os selecionados com o projeto “Sobre o Vazio”, em que mescla vídeo e fotografia.
“Eu já tinha exposto várias partes da série. Ela iniciou em 2010 com o prêmio Marc Ferrez (Funarte) e expus com dois vídeos na Fotoativa. Essa será a primeira vez em que todas as obras serão vistas em uma única exposição, com texto e curadoria de Marisa Mokarzel, incluindo fotografias nunca expostas em Belém”, destaca o artista.
Os Aprovados
EDITAL DE PATROCÍNIO 2017
- Livro “A Letra da Água” - Luciana Brandão
- Cd “Violões da Amazônia” - Salomão Habib
- Lanterna dos Afogados: Ensaios de Literatura, História, Cultura e Cidade na Amazônia Intermediada pela Ficção do Escritor Dalcídio Jurandir - Luís Heleno Montoril Del Castilo
- Cd “Na Marola” - Trio Lobita e O Quarto Elemento
- Cd “Natália Matos” – Natália Matos
- Mostra de Cinema Universitário: Saberes da Amazônia
- 1º Encontro Amazônico de Economia Criativa
- Boulevarte
- Espetáculo Paraíso Verde, Trilha Lendas Amazônicas - Cia de Dança Ana Unger
- 7ª Mostra de Cinema da Amazônia
- Cd “Filosofia” – Pedro Vianna
- Cd “Cartograma” – Leandro Dias
- Seminário de Fotografia Amazônia: Olhares e Vivências
- 1º Circuito Regional de Apresentação do Cordão de Pássaro Colibri
- Amazônia Samba - Arthur Espíndola
- Orquestra em Movimento - Rafael Pereira Fontinele
- Cd Infantil “Roda Gigante” - Dhanylho Laureano Da Silva
-1ª Edição do Festival de Cenas Curtas 5 Minutos Em Cena - Circo, Dança, Teatro e Performance
EDITAL DE PAUTAS DO ESPAÇO CULTURAL BANCO DA AMAZÔNIA
- “Sobre o Vazio” - Alberto Bitar (Pa)
- “Já Fui Floresta” - José Luiz Franco Medeiros (Mt)
- “Amazônia Style” - Raimundo Nonato Silva Barreto Filho (Pa)
EDITAL DE CHAMADA PÚBLICA Nº 01/2017 – LEI ROUANET – PROJETOS SELECIONADOS
- 30º Festival Internacional de Música do Pará - Fundação Carlos Gomes
- Resgate aos Cordões de Pássaros e Bichos do Pará - Associação Folclórica e Cultural Colibri de Outeiro
- 12º Festival Se Rasgum
- Circular Campina Cidade Velha
- Educação Musical Coral Vozes da Amazônia
- Circulação do Show “Orgânico” - Quiure Soares
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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