O canto lírico exige uma técnica diferenciada do canto dito popular. Mas para a cantora paraense Sabah Moraes, com estudo e disciplina, é possível dominar ambas as vertentes. E por experiência própria: após anos dedicada ao canto lírico, ela passou à música popular, experiência que ela divide amanhã, às 18h, em um masterclass para cantores na Escola de Música Beny Monte.
“Vou analisar o que precisa melhorar em termos de colocação da voz, fraseado, interpretação, performance, respiração, afinação, apoio diafragmático que dá sustentação para o corpo. Isso tudo é importante, pois melhora o canto e protege aparelho vocal.
Além disso, vou orientar a respeito do que cada um pode realizar para melhorar seu desempenho e sobre o repertório. Todos estaremos juntos o legal é que será como uma grande aula”, adianta a cantora e professora, graduada em Canto Lírico e mestre em Canto Popular, pela Universidade Federal de Goiás (UFG).
Ela indica que cada participante escolha duas músicas diferentes e contrastantes para que possa escolher qual deve ser apresentada para que ela aprecie e faça suas observações. Sabah estará acompanhada do marido, o produtor musical Ney Couteiro - para quem optar pela modalidade canto popular-, e da pianista Leandra Vital, para os que optarem pelo canto lírico.
Ela, que participou de inúmeros masterclass, diz que isso a ajudou a consolidar a carreira. E lembra também que Couceiro foi fundamental para que afinasse seu repertório e buscasse cantar música popular. “Foi uma grande troca de experiência, pois ele me ouvia cantar ópera e falávamos muito sobre as questões estéticas. O canto lírico existe há muito séculos, não existia tecnologia, então o cantor precisava cantar para o teatro todo ouvir. Os compositores faziam peças sobre-humanas, e era preciso projeção para a orquestra não cobrir a voz, e preparo vocal para usar a capacidade máxima da ressonância. Já o canto popular surgiu com o advento da energia elétrica, mais coloquial, natural, muito próximo da fala. Não precisa ter essa amplificação vocal e se pode cantar muito naturalmente”, lembra.
Para Sabah, cantar exige trabalho e estudo, mesmo quando o canto é popular. “Não é de qualquer jeito. Também tem que ter cuidado e colocação vocal”, diz a cantora, que iniciou a carreira em Belém, passou por São Paulo, onde atuou por dez anos na Orquestra Sinfônica do Estado (Osesp), e mora e trabalha em Goiânia há 13 anos.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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