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Pará chama atenção do país e do mundo

Marisa Mokarzel, listada entre os curadores mais importantes do Brasil em 2016, diz que o Pará chama atenção do país e do mundo e prevê que a arte supere a crise com criatividade (Foto: Ana Mokarzel) Pelo olhar da paraense Marisa Mokarzel, nas artes visu

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Marisa Mokarzel, listada entre os curadores mais importantes do Brasil em 2016, diz que o Pará chama atenção do país e do mundo e prevê que a arte supere a crise com criatividade (Foto: Ana Mokarzel)

Pelo olhar da paraense Marisa Mokarzel, nas artes visuais “a produção do Norte vem há muito sendo reconhecida”, dentro e fora do país. “Não é à toa que artistas como Guy Veloso, Alberto Bitar, Armando Queiroz e Éder Oliveira estiveram nas últimas bienais de São Paulo, e antes, Emmanuel Nassar também. Além de recentes bienais de Veneza, que tiveram a presença de Luiz Braga e Berna Reale”, completa.

Marisa só precisaria acrescentar ela própria como um desses profissionais das artes que rendem orgulho ao estado, afinal, ela figurou em 2016 como uma das curadoras mais importantes do Brasil. Entre os trabalhos em destaque, está a exposição “Vértice”, citada na retrospectiva “30 exposições que marcaram 2016”, do site “Brasileiros”. Além de Marisa, participaram do projeto as curadoras Marília Panitz, de Brasília, e Polyanna Morgana, do Paraná. O processo que constituiu a exposição teve início com a visita ao acervo do colecionador de arte Sérgio Carvalho, em Brasília, no qual as três curadoras encontraram-se diante de um grande número de obras contemporâneas e de diferentes artistas nacionais.

Havia ainda, nesse conjunto de obras, uma característica muito própria da contemporaneidade: obras em distintas linguagens, de várias procedências e conceitos. Assim, conta Marisa, o trabalho que lhe rendeu destaque nacional também foi o que lhe apresentou um grande desafio, que era, com base no acervo, estabelecer um recorte que articulasse os pensamentos das três curadoras e do próprio colecionador. “A partir de várias conversas, conseguimos manter ao mesmo tempo uma autonomia de pensamento e uma integração deste pensar”, considera.

Como resultado, nasceram os três núcleos da exposição: “Relatos” (Marília Panitz), “Construções” (Polyanna Morgana) e “Assombros” (Marisa Mokarzel). A exposição foi apresentada no Espaço Cultural dos Correios, em Brasília. Depois seguiu para o Rio de Janeiro e, por último, São Paulo. Muitos dos paraenses citados por Marisa como destaques no cenário das artes visuais tinham obras presentes na mostra.

E depois de um ano tão bom para sua própria carreira – Marisa também é professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Linguagens e Cultura da Unama – ela segue dizendo que para 2017 seus projetos incluem outras curadorias, mas principalmente pesquisas voltadas à arte. Em entrevista ao DIÁRIO, a curadora comentou a cena das artes visuais no país e quais rumos a crise pode dar a toda essa produção contemporânea e seu mercado.

A gente viu feiras de arte nacionais encolherem em 2016. Como você acredita que isso fica em 2017?
Acredito que o problema vivido pelo mercado de arte permanece, pois a crise do país ainda é aguda. E Belém, em particular, sempre viveu a potencialidade de seus artistas em meio a uma falta de mercado. A força, resistência e enfrentamento das adversidades ocorrem devido à inteligência, sensibilidade e conhecimento que permitem que o artista não pare, ao contrário, encontre outras soluções para produzir e seguir novos caminhos de articulação, deslocamentos e circulação.

Vimos também museus e galerias se desdobrando para manter uma programação de peso, ainda que também menor em número. Nesse ambiente, do qual você participa ativamente, o que fica de desafio para 2017 e o que funcionou e deve ser mantido?
Mesmo com dificuldades financeiras, galerias e alguns espaços culturais se mantiveram, devido a persistência e crença na arte e na cultura. A situação dos museus infelizmente é mais grave, em função da falta de verba, de apoio. Mantiveram-se entre altos e baixos. Alguns museus conseguiram manter as suas programações graças à compreensão da arte e das questões sociais de alguns diretores que resistiram às intempéries. O grande desafio é mantermos no lugar que lhe é devido, no complexo Feliz Lusitânia, no mesmo prédio, o Museu Casa das Onze Janelas, por tudo o que ele representa para a arte e a cultura, por tudo o que realiza, mesmo sem o apoio devido.

Como curadora, o que você vê como tendência nas artes visuais?
Não acredito em tendências, vejo que muitas vezes existem modismos. Mas não é no modismo que acredito. Creio no envolvimento por inteiro com a arte, com a vida. O que existe é uma dedicação contínua, um respirar que não pode faltar, um perceber que te tira do lugar para te colocar de volta no mundo, e assim, refletires sobre questões que não têm a especificidade da arte, mas nela estão contidas.

(Lais Azevedo/Diário do Pará)

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