Jornalista e roteirista, Suelen Carvalho já tinha contos publicados e um e-book infantil. Mas conta uma história de suspense psicológico em seu romance de estreia (Foto: Divulgação)
A escritora paraense Suelen Carvalho tem uma opinião sobre segredos. “É quase um castigo, porque você tem que proteger. E às vezes você gostaria de não ter nunca sabido, se o segredo for uma coisa muito grave”, diz. Em torno dessa ideia, ela escreveu um conto em 2011, de cinco páginas. Mas o texto a chamou de volta e foi expandido para o romance “O Passado é Lugar Estrangeiro”, que será lançado hoje em São Paulo, onde ela mora há quatro anos, com selo da Editora Patuá.
O livro foi finalizado em 2015 e ela passou o ano de 2016 em busca de uma casa que pudesse publicar o thriller em torno de Diana, a protagonista do livro. “Sempre acho que guardar um segredo é muito difícil, não pela fofoca ou porque precisa contar, mas sim porque gostaria de não saber, não estar envolvida. O próprio segredo foi uma tentativa que fiz de que ele fosse um personagem com que a Diana dialoga e se relaciona”, completa Suelen, que é jornalista e roteirista e já publicou contos em revistas literárias, antologias e um e-book infantojuvenil.
Diana tem esse algo secreto. De acordo com a autora, a personagem principal foi concebida de forma natural, justamente para dar vazão à ficção nos anos que se seguiram à escritura do conto germinal. “Um amigo meu escritor foi leitor beta, fez um parecer crítico, disse que ela seria uma neurótica mórbida com relação ao esquecer, à memória, por não querer guardar esse segredo”, diz.
Entrelaçados à vida de Diana e seu mistério, estão o marido e a mãe, além da amiga Marília e das irmãs que ela conhece no convento. A clausura desse ambiente é, para Suelen, uma metáfora de uma proteção que Diana busca pelo que descobriu, e não significa necessariamente na trama o cerceamento de sua liberdade. É uma pessoa que quer se separar de seu passado.
“A partir desse segredo, construí a voz de um narrador. E até um dialogo com o próprio segredo que a personagem tem sob custódia. Também busquei fazer uma reflexão com relação a isso, porque geralmente é algo do passado, não tem segredo do futuro. No livro, tem essa questão de se recusar a estar no presente, ficar ruminando esse passado. O segredo vem como uma luta, na relação da personagem com o que descobriu. É uma luta feroz, dura, que no final a gente não sabe mesmo quem é que ganha”, comenta Suelen Carvalho.
O título foi inspirado em uma epígrafe do escritor inglês L.P. Hartley, mas as referências para compor o romance vieram mesmo de outras autoras – quando a escritora percebeu que faltavam mulheres em sua prateleira. E foi imersa no mundo de Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispector, as canadenses Alice Munro e Margaret Atwood, e Elvira Vigna, considerada pela autora estreante a melhor escritora brasileira contemporânea, que ela construiu a sua própria trama.

(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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