Na empolgação com a chegada do Ano Novo, muitas pessoas lançam suas metas para os próximos 365 dias. Embora alguns acabem desistindo, vários persistem. O DIÁRIO conversou com pessoas que, em 2015, prometeram realizar metas em 2016 e que agora, no início de 2017, celebram os resultados. Nas listas de promessas, não faltam aquelas relacionadas à saúde. Largar o sedentarismo e perder peso são ideias sedutoras que esbarram na falta de persistência. Tem gente que paga a academia, mas não usa.
Rosemary Fernandes, 53 anos, era assim. Hoje, quem vê o fôlego da advogada e servidora pública na aula de crossfit atualmente, nem imagina que ela não curtia o clima de academia. Chegou a pagar 1 ano adiantado, mas só apareceu 10 vezes. “Achava estressante”, lembra. Porém, o corpo e fôlego já não eram os mesmos e a advogada estava insatisfeita com o que via no espelho. Estar 10kg acima do peso e não se sentir confortável ao vestir um biquíni eram incômodos para alguém que sempre foi vaidosa. “Eu queria mudanças sem esforço físico”, resume.
Disciplina
Os quilos a mais Rosemary perdeu no ano passado, praticando crossfit -programa de treinamento de alta intensidade. A aluna está lá de segunda a sábado e só falta quando viaja por causa do seu trabalho. “Tempo, quando você quer, você arruma”, diz. O segredo da mudança? “Faltava eu me sentir determinada. Tudo é possível, mas temos de fazer os sacrifícios necessários”, aconselha. Instrutor de crossfit, Yury Ponçadilha explica que muitos desanimam no começo por causa das dores musculares. Outros não estabelecem rotina. “Ir todos os dias está difícil? Então que seja 3 vezes por semana, mas venha!”.
Prometer é fácil. O difícil é se comprometer. A psicóloga comportamental Letícia de Oliveira dá um exemplo: “Para emagrecer, você precisa abdicar de comidas gostosas e daquele tempo deitado no sofá da sala”, diz. “Meta sem planejamento e sem comprometimento se torna frustração”, destaca.
Ela diz que, mesmo em tempos de incertezas, é possível focar em planos, sem buscar justificativas para a desistência. “Se não tem academia, podemos andar na rua”, diz. “Uma pessoa que estabelece metas tem uma chance maior de modificar seu comportamento e de ficar mais satisfeita”, afirma.
Apesar da crise financeira, professora conseguiu poupar
Dá para poupar em tempos de crise? A professora Dayane Soares, 31, diz que sim. E, para se sair melhor com os números, participa de um curso de matemática aplicada às finanças pessoais. Isso porque não era muito de poupar. Dayane até guardava dinheiro, mas caía em tentação comroupas e sapatos.
Após tentativas frustadas de guardar dinheiro, se deu conta, em 2015, que nunca havia recurso para uma emergência. A partir daí, começou a poupar. E o momento de aperto chegou porque, no ano passado, ficou desempregada. Ela, então, juntou o dinheiro da poupança e o da rescisão, se desfez dos 4 cartões de créditos e teve mais força para cortar gastos desnecessários. “A dica é evitar supérfluos”.
Dayane ainda não conseguiu emprego e pôde contar com o que poupou para ajudar nas finanças. A professora de matemática Andrea Silva Gonçalves observa que, infelizmente, muitas pessoas iniciam o ano continuando os velhos erros. “Não param para perguntar: estou gastando muito?”.
O cigarro ficou para trás
Na casa da professora aposentada Simone Paris, 57, ninguém botava fé que ela conseguiria largar o cigarro. Aliás, ela mesma achava impossível. O hábito veio aos 14 anos. Simone fumava duas carteiras de cigarro por dia. E não parou nem mesmo com o diagnóstico de enfisema pulmonar.
A professora vivia cansada, a voz já não alcançava o volume desejado e o sono era ruim por causa da tosse. Simone vivia recusando os convites da amiga médica para participar das reuniões de um grupo de terapia. No início do ano, decidiu ir e foi parando de fumar, aos poucos. Porém, as recaídas eram constantes já que, segundo ela, faltava determinação. Mas, inspirada pela vontade de ter mais saúde, o sentimento foi surgindo. “Quando fiquei determinada, eu consegui”. O motor para perseverar era ver os netos crescerem. A partir de agosto, não fumou mais
SAÚDE
Hoje, Simone se sente capacitada para realizar qualquer meta. A de 2017 é tirar a carteira de motorista. A falta de planejamento é o maior obstáculo para largar o cigarro, explica Isabelle Alves, dentista do Centro de Referência na Abordagem e Tratamento do Fumante (Craft). “O primeiro passo é se planejar”. Quem tenta parar por conta própria, segundo ela, esbarra em pontos críticos. Entre eles estão reações desagradáveis da abstinência, como a irritabilidade.
VEJA DICAS PARA SAIR DO SEDENTARISMO
Dores musculares são comuns no começo, mas depois o corpo se adapta.
Procure um nutricionista. Alimentação ruim acelera a desistência.
Crie uma rotina de exercícios.
LARGAR O CIGARRO
Evite estar perto de fumantes.
Evite ‘gatilhos’ para o fumo: café, bebidasalcoólicas, chás pretos, chocolate, alimentos adocicados.
Caiu em tentação? Replaneje.
COMEÇAR A POUPAR
Tome cuidado com o cartão de débito.
Faça uma planilha para conhecer suasdespesas e cortar o supérfluo
Economize água e energia para tentar reduzir custos também com as contas fixas.
CUMPRIR METAS
Metas precisam ser viáveis, adaptáveis e que tenham a ver com você.l Planeje e se comprometa.l ‘Escorregadas’ acontecem. Mas a frustração é menor no recomeço do que na desistência.
(Marta Cardoso/Diário do Pará)
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