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Festas de salão continuam sendo tradição em Belém

Não é difícil encontrar no calendário de eventos do carnaval belenense uma ou outra programação que fale em resgatar “os antigos carnavais”. Essa nostalgia quase sempre recai sobre os bailes carnavalescos dos clubes sociais, disputados e tidos como um mom

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Não é difícil encontrar no calendário de eventos do carnaval belenense uma ou outra programação que fale em resgatar “os antigos carnavais”. Essa nostalgia quase sempre recai sobre os bailes carnavalescos dos clubes sociais, disputados e tidos como um momento de glamour e brincadeira.

Nas festas de salão dos anos 1940 ao final dos anos 1960, os clubes reuniam um grande público, gente fantasiada de pierrô, colombina, cigana, pirata e Carmem Miranda, em momentos que deixaram saudade a quem viveu essa fase “romântica” do carnaval. “Cada clube ainda realizava o baile das crianças. Lembro que era levada pelo meu padrinho para o baile da Assembleia Paraense, era um acontecimento. Era um carnaval que dava prazer de participar”, lembra a jornalista Vera Castro, colunista do Você.

Nesse período, os clubes concentravam-se basicamente no eixo das avenidas Presidente Vargas e Nazaré. Entre os que ficaram famosos, estão o “Baile das Máscaras”, da Assembleia Paraense, o “Até o Sol Raiar”, do Pará Clube, o “Inferno Verde”, do Automóvel Clube, o “Baile do Havaí”, do Iate Clube, e o “Baile do Pierrô”, realizado no Clube do Remo.

Antônio Maria Thomaz, membro do Grêmio Literário Português, lembra como mesmo isso fazia diferença nesses tradicionais bailes. “A origem do nosso baile foi na sede social do clube, na Rua Manoel Barata (bairro da Campina, próximo à Presidente Vargas). E só no final dos anos 1970, veio para a sede campestre, na Avenida Augusto Montenegro. Naquela época, o baile era voltado apenas para associados. Nossa sede na Manoel Barata é pequena, um imóvel antigo, então não eram muitas pessoas. E como convidados de fora, tínhamos apenas algumas personalidades e autoridades”, relembra.

Foi nesse clima de exclusividade e glamour que passou a existir o chamado “sereno”, um corredor de curiosos dispostos a assistir à chegada dos foliões da elite. “A festa do Bancrévea era no Grande Hotel. A Tuna Luso, mesmo que não fosse ainda tão destacada quanto a festa da Assembleia, tinha um clube muito bonito. As pessoas se reuniam em grupos e faziam fantasias riquíssimas, todo mundo ia de black-tie”, lembra Vera Castro.

“A gente ia fantasiado sempre. Na verdade, quem fazia todas as minhas fantasias era minha mãe. Ela era ‘mão-de-fada’. Tenho até um mural com todas as fantasias que ela fez”, conta a socialite Gigi Soriano.


Tempo das orquestras e dos bailes dos “brotinhos”

Os bailes infantis e dos “brotinhos”, que reuniam quem tinha até 15 anos, também faziam sucesso. “Era tudo muito animado. O baile dos brotinhos então era esperado. Hoje, você nem escuta falar, às vezes, já passou e você nem soube. Antes você sabia o calendário ‘de cabo a rabo’, marcava na folhinha. Eu concorria todos os anos no concurso de fantasia dos brotinhos”, conta Soriano. Atualmente, a Assembleia Paraense, o Pará Clube e o Grêmio Português ainda são os poucos clubes que promovem uma programação voltada para os pequenos.Outra parte dessa saudosa história dos salões de baile carnavalescos é a presença das orquestras.

Na memória afetiva da cidade, ficaram as orquestras Orlando Pereira, Alberto Mota, Guiães de Barros, Reginaldo Cunha, Guilherme Coutinho, Orquestra Sayonara e Eli Farias. “A primeira coisa que eu sinto falta quando penso nesses bailes de antigamente é do Guilherme Coutinho. Ele movimentava como ninguém o nosso carnaval. É uma saudade eterna. Fora isso, eu adorava as bandinhas de modo geral, eram muito boas. Não sei se era o Guilherme que passava isso. As músicas eram superconhecidas, a gente vibrava com marchinhas como ‘Bandeira Branca’, cantava e brincava até o final da festa. A gente era expulsa das festas! Todos nós só saíamos quando acabava”, conta Gigi Soriano, feliz com a lembrança.

Megashows animam os bailes de hoje

Fantasias, máscaras, marchinhas e confetes continuam presentes na folia promovida pelos clubes sociais de Belém. Mas hoje não são apenas as marchinhas que fazem a alegria dos foliões. Axé, forró, lambada e carimbó passaram a fazer parte da folia. “Nós sempre mantemos algo dos antigos carnavais, como as marchinhas. É um pedido especial que fazemos todos os anos aos músicos convidados”, destaca Antônio Maria Thomaz, 2º vice-presidente do Grêmio Literário Português. E quem tem essa missão este ano é a cantora Gaby Amarantos e a banda Xeiro Verde, de Hellen Patrícia. Ambas vão trazer todo o suingue regional, com bregas e suas vertentes repaginadas pelas modernas batidas das guitarras e samples eletrônicos, mas sem deixar de revisitar “os antigos carnavais”.

As fantasias de carnaval também são uma tradição difícil de abrir mão. E na Assembleia Paraense são as máscaras o elemento que não pode faltar, afinal, elas dão nome ao baile do clube, regadoe a muita criatividade, fantasia e glamour. Como atração principal, o clube traz o cantor carioca Elymar Santos, que já participou de pelo menos três edições do evento em Belém. Mas quem abre a festa na AP é o DJ Tarrika, que também já é tradição no Baile das Máscaras e mostra um pouco do que é o carnaval dos dias de hoje, em que é possível fazer várias misturas, mantendo o clima de folia e diversão em família, como ainda costuma ser o clima dos bailes de clubes. “Essa é uma vantagem inegável. Algumas pessoas preferem o ambiente fechado dos clubes para se divertir em família, com mais segurança”, destaca Thomaz.

“E elas ainda mantêm algo dos antigos bailes, que é formar ‘pequenos blocos familiares’, com fantasias personalizadas”, completa o vice-presidente do clube. O clima não será muito diferente do que o público pode encontrar no “Baile Vermelho e Branco”, do Bancrévea, com muita gente aderindo às cores temáticas do clube na hora de escolher a fantasia e dançando ao som de Pinduca, Tonynho e banda, Sambloco, Banda de Fanfarra, Rally do Samba, Fernando Jakaré e os DJs Moises e Alessandro Duarte.

Tempo das orquestras e dos bailes dos “brotinhos

”Os bailes infantis e dos “brotinhos”, que reuniam quem tinha até 15 anos, também faziam sucesso. “Era tudo muito animado. O baile dos brotinhos então era esperado. Hoje, você nem escuta falar, às vezes, já passou e você nem soube. Antes você sabia o calendário ‘de cabo a rabo’, marcava na folhinha. Eu concorria todos os anos no concurso de fantasia dos brotinhos”, conta Soriano. Atualmente, a Assembleia Paraense, o Pará Clube e o Grêmio Português ainda são os poucos clubes que promovem uma programação voltada para os pequenos.

Outra parte dessa saudosa história dos salões de baile carnavalescos é a presença das orquestras. Na memória afetiva da cidade, ficaram as orquestras Orlando Pereira, Alberto Mota, Guiães de Barros, Reginaldo Cunha, Guilherme Coutinho, Orquestra Sayonara e Eli Farias. “A primeira coisa que eu sinto falta quando penso nesses bailes de antigamente é do Guilherme Coutinho. Ele movimentava como ninguém o nosso carnaval. É uma saudade eterna. Fora isso, eu adorava as bandinhas de modo geral, eram muito boas. Não sei se era o Guilherme que passava isso. As músicas eram superconhecidas, a gente vibrava com marchinhas como ‘Bandeira Branca’, cantava e brincava até o final da festa. A gente era expulsa das festas! Todos nós só saíamos quando acabava”, conta Gigi Soriano, feliz com a lembrança.


Escolha seu baile

Ainda que os principais frequentadores sejam os associados, hoje os clubes de Belém sempre abrem ao público a possibilidade de participar de seus bailes de carnaval. Abaixo, confira a programação de três deles, todos com venda de ingresso já disponível

ASSEMBLEIA PARAENSE

Um dos mais tradicionais e elegantes eventos da AP, o Baile das Máscaras, acontecerá dia 18/2, a partir das 22h, no Salão de Festas da Sede Campestre. As principais atrações da noite são o cantor Elymar Santos e o DJ Tarrika.Informações: (91) 3181-9904/9908.

GRÊMIO PORTUGUÊS

Gaby Amarantos, com toda a sua energia, é quem vai comandar o Baile Vermelho e Verde. A festa ocorre dia 18/2, a partir de 22h, no Salão de Eventos da Sede Campestre do clube, e ainda traz a banda Xeiro Verde para completar o time carnavalesco.Informações: (91) 3222-9425/3351-2962

BANCRÉVEA

Com dois ambientes, o Salão Nobre e a Boate Revival, o clube irá realizar o seu Baile Vermelho e Branco no dia 18/2, a partir das 22h. Entre as atrações, estão Pinduca, Tonynho e Banda, e a banda de fanfarra.Informações: (91) 3235-4262/98200-9334

(Laís Azevedo/Diário do Pará)

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